Adriana Calcanhotto lança CD e DVD de show em Portugal
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terça-feira, 06 de maio de 2014
Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
Rio - Nos anos 80, a jovem gaúcha Adriana da Cunha Calcanhotto se apresentava em bares de Porto Alegre com seu violão cantando Lupicínio Rodrigues, Chico Buarque, Caetano Veloso e outros pilares da música brasileira. Bastou um ano para perceber que ali não teria futuro.
"Foi tão intenso que parece que foram 11 anos, e não um. Eu nunca fui crooner, era voz e violão arriscando canções novas. Mas as pessoas queriam ouvir as músicas tal qual as conheciam. Até o dia em que o cara da primeira fila, bêbado, falou: 'Eu não conheço essa música, não vou aplaudir'", lembra Adriana, que em 1989 se mudou para o Rio, em definitivo.
O Nome da Cidade, que Caetano compôs para a irmã Maria Bethânia para seu show homônimo de 1984 -, abre o CD e DVD ao vivo Olhos de Onda, que Adriana está lançando agora pela Sony. O registro foi filmado em fevereiro, no Rio.
Com Adriana, um banquinho e um violão, o show Olhos de Onda foi montado a partir de um pedido vindo de Portugal, país que a recebe como estrela da MPB desde os anos 90. Adriana estava apartada do violão havia dois anos, por causa de uma lesão no punho, e viu no convite um chamado a voltar ao instrumento. Pegou um violão comprado anos antes em Madri e se pôs a ensaiar. "Foi a melhor parte. Estou tocando com mais economia. O violão não é mais o mesmo, eu não sou a mesma."
Além das canções mais populares dos 24 anos de carreira discográfica, como Inverno, Esquadros e Vambora, ela canta Back to Black, hino de Amy Winehouse, e Me Dê Motivo, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, gravada por Tim Maia - esta, incluída na trilha da nova novela das 19 horas, Geração Brasil, é candidata a repetir o êxito de regravações como Devolva-me (famoso com Leno e Lilian nos anos 60) e Fico Assim Sem Você (sucesso de Claudinho e Buchecha), que se tornaram hits de Adriana.
Três faixas são composições recentes, entre elas, a música-título. A onda alude ao mar tão presente na obra da compositora, que ainda está por concluir a trilogia iniciada com o disco Marítimo (1998) e retomada em Maré (2007).
Ao fim, ela abre para escolhas do público, que pede Seu Pensamento, Metade e Maresia. Adriana segue viajando com esse repertório até fevereiro de 2015 - o encerramento será no mesmo palco lisboeta da estreia, que aconteceu um ano atrás.


