Adriana abre o parangolé na TV
A maioria não percebeu, mas Adriana ganhou um t a mais no sobrenome. O que a mudança teria a ver com seu novo disco, o elogiado Maritmo, cujo título aliás exclui um i?
Bem, enigmas à parte, Adriana Calcanhotto está de volta em disco, shows, rádios e trilha sonora de novela com seu raro talento para compor canções memoráveis. E ela é a convidada especial do programa Ensaio, que a TV Cultura mostra hoje a partir de 23h30. Sozinha ao violão, a cantora e compositora gaúcha interpreta as músicas de seus quatro álbuns e fala de sua carreira, da família e dos artistas que influenciaram sua música.
Eu achava maravilhoso uma pessoa levar uma vida que era de ficar acordada de noite e dormir de manhã - conta ela, à certa altura, revelando como decidiu ser cantora. Em outro trecho, lembra que tentou estudar violão várias vezes, mas que sempre abandonou as aulas. Quando eu voltei a ele, lembrava de três ou quatro acordes no máximo. Então comecei a inventar as minhas canções e fiz umas 30 músicas em uma primeira leva - diz.
Alternando os depoimentos com canções, ela apresenta músicas de discos anteriores - como Inverno, Esquadros, Vislumbre, Canção Noturna da Baleia e Maresia - e composições da última safra como Maritmo, Parangolé Pamplona, Dançando e outras. Ao lembrar dos artistas que influenciaram seu trabalho, Calcanhotto cita Dorival Caymmi (com quem gravou a faixa Quem Vem Pra Beira do Mar no novo disco), Chico Buarque, Maria Bethânia, Elis Regina (com a qual foi comparada no começo da carreira, quando despontou durante uma tempora de shows no bar Mistura Fina, no Rio de Janeiro) e Caetano Veloso (que homenageia na canção Vamos Comer Caetano, incluída em Maritmo).
Eu li o livro dele e ele fala de muitas coisas referentes ao Oswald de Andrade e antropofagia - afirma, no programa, ao explicar por que sampleou várias músicas do compositor para criar a sua. A homenagem pegou mal, recebendo observações mordazes de alguns setores da crítica, que têm protagonizado uma nova onda de caça aos famosos baianos, agrupados agora (talvez merecidamente) sob o rótulo máfia do dendê.
De qualquer forma, uma prova de coragem da cantora, que aos 32 anos acaba de imprimir o melhor álbum de sua carreira.ReproduçãoAdriana Calcanhotto: canta músicas de seu novo disco e fala de sua carreiraNelson Sato





