FOLHA - Qual vai ser o repertório do show em Londrina?
Tetê Espíndola - Vou mostrar algumas músicas do meu novo CD ‘‘Evaporar’’, como ‘‘Amor de graça’’, ‘‘Semente de som’’. Vou interpretar também alguns clássicos e sucessos que estão na coletânea ‘‘A Arte de Tet꒒, como ‘‘Trem das Onze’’, ‘‘Sertaneja’’ e, é claro, o ‘‘Escrito nas Estrelas’’. E quero avisar que estarei autografando os CDs no final do show.
Desde a interpretação e a gravação da valsa ‘‘Londrina’’, de Arrigo Barnabé, você passou a fazer parte da memória afetiva dos londrinenses. De lá para cá, você veio algumas vezes à região. Que lembranças tem da cidade?
Só ótimas lembranças. Adoro Londrina, ela é tão verde e tão cheirosa... Da última vez que estive aí, levei o show com a minha família, o ‘‘Espíndola Canta’’. E, na ocasião, aconteceu um lance muito mágico pois estava cantando ‘‘Londrina’’ à capella ao ar livre quando passou um avião no céu em cima do público. Os meus shows com Arrigo também trazem muita saudade.
Você ainda tem contatos musicais com o Arrigo?
Claro! Estamos sempre nos falando. No ano passado fizemos uns shows em Porto Alegre, eu cantando um repertório novo dele, só voz e piano. Ficamos muito felizes com o resultado.
Além de ‘‘Londrina’’, você ficou conhecida nacionalmente por ter vencido o Festival dos Festivais da Globo com a música ‘‘Escrito nas Estrelas’’. Isso foi em 1985. Depois, uma sucessão de modismos musicais invadiu o mercado fonográfico relegando à margem toda uma geração talentosa de intérpretes, instrumentistas e compositores. O seu caso me parece exemplar. Na última década quase não se ouviu falar em Tetê na mídia. Como você enfrentou essa transição?
É claro que não terei mais a mídia que pintou na época que ganhei o festival da Globo. Acho que nos últimos 10 anos até que tenho tido espaço sim, pois estive concretizando vários projetos que tiveram um espaço legal na mídia escrita e a até na TV. ‘‘Água dos Matos’’, por exemplo, uma expedição multicultural patrocinado pela Natura e Eletrobrás que se concretizou este ano com o lançamento de um documentário.
Como foi essa expedição?
Foi uma experiência maravilhosa na qual estive acompanhada de Alzira e Jerry Espíndola, Lucina e Carol. Fizemos 15 músicas inspiradas na paisagem do Pantanal, na vida dos ribeirinhos e naquelas águas, que temos que preservar a qualquer custo.
Você ficou muito conhecida como intérprete, a ponto de muitas pessoas desconhecerem o seu lado de compositora. Em seu novo disco, ‘‘Evaporar’’, sua assinatura está presente em todas as faixas. É um ‘‘cartão de apresentação’’ para os distraídos.
Eu sempre fui compositora, mas o fato de eu ser uma atriz da voz e de ter essa grande extensão vocal me faz ter um repertório bastante variado. Sou uma intérprete que canta desde clássicos de raiz até música erudita, passando pelo experimentalismo. O ‘‘Evaporar’’ é uma coletânea com composições escolhidas especialmente do meu trabalho com a craviola para os meus fãs.
Em 2001, você gravou o álbum ‘‘VozVoixVoice’’, no qual faz mais de 100 vozes diferentes imitando golfinhos, baleias e pássaros. Esse disco foi lançado na Europa antes de sair no Brasil. Como foi a repercussão lá fora?
O meu trabalho em Paris com o compositor e produtor Philippe Kadosch está indo muito bem. Fizemos muitos shows lançando o VozVoixVoice por lá e até gravamos um DVD aos interessados.
Há três anos, você gravou um disco (‘‘Babeleyes’’) que seria talvez o mais experimentalista de sua carreira. Por que ele não foi lançado?
Esse trabalho é muito especial. Estamos batalhando um jeito dele ser lançado com o esquema que ele merece, talvez com um balé. No próximo ano, Kadosch virá ao Brasil, e vamos tentar concluir esse projeto.
Ultimamente, tem aparecido uma cantora atrás de outra, particularmente no eixo Rio-SP. Você tem acompanhado o trabalho dessa nova geração? Tem algum nome que você destacaria na cena?
Acho ótimo que as mulheres conquistem mais espaço na música, não só como intérpretes mas com compositoras também. Uma que admiro muito é a Ceumar, mas tem também a Virgínia Rosa e a Alzira Espíndola.

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