Adorável Maluquinho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de julho de 1998
Ana Lúcia do Vale Cult Press 
Julho é um mês tradicional para o cinema infantil. Em meio a tanta bobajada americana lançada durante as férias escolares, Menino Maluquinho 2, A Aventura é o único filme nacional que entra em circuito hoje. Continuação de Menino Maluquinho - O Filme, dirigido por Helvécio Ratton em 95, também é baseado no personagem do livro de Ziraldo lançado em 80. Mas ao contrário do filme anterior, que tentava traduzir o espírito do livro numa reflexão sobre a infância, Menino Maluquinho 2, A Aventura coloca o protagonista, novamente interpretado por Samuel Costa, num universo mágico de perseguições e, como diz o título, aventuras.
Menino Maluquinho 2 é um filme família. O roteiro, assim como o do primeiro, é do próprio Ziraldo, que foi auxiliado pelas filhas Daniela Thomas e Fabrízia Alves Pinto. Fabrízia, vinda de uma experiência de comerciais, estréia na direção de um longa-metragem com o também novato Fernando Meirelles, que comandava episódios do programa Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, e recebeu vários prêmios pela direção de comerciais em Cannes. O próprio Ziraldo faz uma participação no filme, como um delegado, e a trilha sonora é de Antônio Pinto, também filho do cartunista.
Rodado em São José das Três Ilhas, em Minas Gerais, a 70 quilômetros de Juiz de Fora, com um orçamento de R$ 5,4 milhões, Menino Maluquinho 2 tem o elenco diferente do primeiro filme. Além de Samuel Costa, que é o próprio Maluquinho, ficaram apenas os meninos João Romeu, Samuel Brandão e Fernanda Guimarães. Thiago Rodrigues, que no original fazia o Lúcio, cresceu demais e foi substituído por Cauã de Souza. A história se passa agora na casa dos avós paternos do personagem, vividos por Stênio Garcia e Marta Overback. No primeiro filme, Patrícia Pillar era a mãe e o falecido ator Luiz Carlos Arutin era o avô cúmplice do Maluquinho.
A época da trama é indefinida - no filme anterior era na década de 50. Maluquinho e sua turma vão passar as férias de julho na cidadezinha dos avós paternos do menino quando o vilarejo está prestes a comemorar o centenário. O vovô Tonico, feito por Stênio Garcia, é encarregado de organizar a festa, que inclui queima de fogos e um circo, onde o Maluquinho e seus amigos vão se apresentar. O garoto vai ser um dublê de mágico, mas numa noite vê uma misteriosa luz. O traquinas acaba seguindo a tal luz e desaparece, deixando todos enlouquecidos atrás dele.
É aí que começa a aventura. A turma do Maluquinho vai atrás dele numa gruta subterrânea e o encontra com um pequeno ser - produzido em computação gráfica - chamado de Tatá Miri, que é feito de luz e que se desloca como uma faísca. Habitante do centro da Terra, o Tatá Miri resgata a lenda do boitatá, que é uma enorme serpente de fogo que protege as florestas. Quando o Tatá Miri vem para a superfície e apronta no vilarejo, surge na história um caçador da espécie, o Tatá Miguel, feito por Antônio Pedro e inspirado no Seu Miguel, o caça-gazeteiros dos quadrinhos do Bolinha. Com um certo ar fantástico de bicho-papão, o Tatá Miguel quer a todo custo levar o fujão de volta para o lugar de onde veio.
No meio do corre-corre, o pequeno ser de luz causa alvoroço no vilarejo. As beatas, feitas por Lu Grimaldi e Cláudia Shapira, acham que ele é o demônio e querem bani-lo. O prefeito da cidade, feito pelo veterano Nelson Dantas, resolve não mais patrocinar a festa de centenário da cidade e a confusão está armada.
O salvador da pátria é o próprio Maluquinho. O carisma de Samuel Costa é inegável. Dono de um sorriso matreiro, o paulistano de 13 anos, que foi escolhido entre três mil garotos, é aquela pestinha que todo mundo quer ter em casa. No meio de tanto filme-pancadaria travestido em opção infantil, Menino Maluquinho 2, A Aventura resgata uma ingenuidade bastante louvável.


