DivulgaçãoCena de ‘‘Círculo das Paixões’’, filme que estréia hoje nos cinemas brasileirosDe um lado os irmãos Holt - Doug e Jacey, adolescentes, pobres, operários, bonitos e diferentes entre si. Do outro, as irmãs Abbott - Eleanor, Pamela e Alice, adolescentes, ricas, ociosas, bonitas e diferentes entre si. A cidade é a pequena e modorrenta Haley, Illinois, meio-oeste americano. A época é a primavera de 1957. O tempo é de inquietação, de mudanças revolucionárias que arrancaram a América de sua arrastada e complascente ressaca do pós-guerra. Inevitável: os Holt acabam se envolvendo afetiva e sexualmente com as Abbott, e nos três anos seguintes os cinco jovens se deparam exatamente com esses problemas todos, amor, sexo, identidade, rebeldia contra a autoridade e de quebra um segredo que vai incomodar as duas famílias e alterar o rumo dos acontecimentos. Esta história, com clássicas ressonâncias do Kazan de ‘‘Clamor do Sexo’’, do Ray de ‘‘Juventude Transviada’’ e do Bogdanovich de ‘‘A Última Sessão de Cinema’’, vem contada em ‘‘Círculo de Paixões’’(veja a programação de cinema nesta página) .
‘‘Este é um filme sobre temas presentes em todas as gerações - as relações fundamentais da vida. É sobre irmãos, sobre uma mãe e seus filhos, um pai e suas filhas. É também como o passado se impõe ao presente e como a má compreensão desse passado pode causar danos a uma pessoa’’, procura definir o diretor irlandês Pat O’Connor, responsável pelo menos por duas obras-primas em sua terra natal: ‘‘Cal’’, primeiro thriller político a discutir a ação terrorista do IRA, e ‘‘A Month in the Country’’, respectivamente de 84 e 87. Não é por acaso que ‘‘Inventing the Abbotts’’ mistura sexualidade e lutas sociais.
Baseado num conto de Sue Miller, ‘‘Círculo de Paixões’’ procura capturar a adolescência já não mais como uma burocrática etapa cronológica da vida, mas como ela passou a ser encarada a partir dos anos 50: um fenômeno. ‘‘As pessoas estão enganadas se pensam que os anos 50 foram uma época de inocência sexual. Sexo e status sempre estiveram em discussão. E sempre existiram garotas como as Abbott - objetos inatingíveis do desejo’’, diz o roteirista Ken Hixon.
Rostos do 3º milênio A voracidade e velocidade da mídia eletrônica quando trata de personalidades do show business são tamanhas que o chamado star system deixou de existir. Pelo menos nos moldes mais tradicionais, já não há o culto sacrossanto a este ator ou aquela atriz. A produção independente decretou o fim da política de contratos. Ninguém mais desaparece misteriosamente como Garbo. Mesmo os estúdios não querem mais ditar normas para esta ou aquela estrela. Que, por falar nisso, também não atende mais pelo nome de estrela.
Quem agora transita nas telas, funcionando como chamariz de público, são caras e bocas de gente mais ou menos provisória. Idolos de glamour duvidoso, fabricados de ontem para hoje justamente pelo furor de uma indústria de produtos tão instantâneos quanto perecíveis. Por isso é sempre temerária a previsão, até mesmo a médio prazo. Por isso, as observações para o jovem quinteto de atores de ‘‘Círculo de Paixões’’ valem por tempo determinado. E por isso, como o século novo é amanhã, é provável - mas não absolutamente certo - que eles convivam com outros que estarão dando as cartas nos primeiros anos do terceiro milênio.
Liv Tyler, a musa de Bertolucci em ‘‘Beleza Roubada’’, é o nome mais conhecido. Ela é Pamela Abbott, às voltas com Doug Holt. Os dois têm 15 anos e não dão muita importância à condição social das duas famílias. A atriz é de fato muito bonita, tem um rosto marcante mas ainda faltam dados - ou filmes - para uma avaliação mais duradoura.
Seu namorado, no filme e agora também fora dele, é Joaquin Phoenix, ex-Leaf Phoenix, irmão de River. O rapaz por enquanto mostrou mais tipo que talento. Sua adesão ao projeto ‘‘Círculo de Paixões’’ foi incondicional, e seu rendimento, segundo a crítica americana, de grande densidade. Jennifer Connely (Eleanor Abbott) teve uma estréia auspiciosa aos 11 anos pelas mãos de Sergio Leone em ‘‘Era uma Vez na América’’. De lá para cá vem fazendo carreira razoável .
Billy Crudup (Jacey Holt), apesar de novidade, já tem um currículo de peso com apenas dois filmes: ‘‘Sleepers - A Vingança Adormecida’’, de Barry Levinson, e ‘‘Todo Mundo Diz eu te Amo’’, de Woody Allen. E Joana Going (Alice Abbott), depois da estréia em ‘‘Wyatt Earp’’ em 94, já fez nada menos que 8 filmes.

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