Adolescentes em alta
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Ana Cristina Ioselli e Marcelo Dominguez TV Press 
Ilustração: Arionauro/Carta Z NotíciasDe sinônimo de figurinha mutante rebelde, cheio de acne no rosto e que só serve para criar tumulto - ou seja, quase insuportável -, o adolescente se transformou na menina dos olhos das emissoras de tevê. De repente, eles foram descobertos como uma massa enorme de público televisivo sem opção de programação. Não é à toa que várias emissoras resolveram investir neste segmento nos últimos meses.
É fácil contabilizar. Só na Globo, há, além da veterana Malhação, o Planeta Xuxa, o quadro Brasil Radical, do Fantástico, e ainda o projeto do seriado Mediterrâneo, comandado por Márcio Garcia, que deve estrear no ano que vem. No SBT, Sílvio Santos continua apostando na empatia de Sérgio Groisman com seu Programa livre.
Na Band, o programa H, de Luciano Huck, fez tanto sucesso, que acabou sendo desdobrado no H+, que vai ao ar aos sábados, às 21h. O nosso programa tem personalidade. Não imitamos a concorrência, afirma Luciano Huck, que aposta nisso como um dos fatores do sucesso.
Patrocinadores não são problema. Nem para Huck, nem para os outros programas voltados para o público jovem. Obviamente, a programação de cada emissora está diretamente ligada ao interesse publicitário que determinado público desperta. E, no momento, os adolescentes estão em alta.
O diretor de criação da agência de publicidade Thompson, Jair de Souza afirma que o público jovem, além de ser o maior consumidor do país, influencia os pais a comprarem o que gostam. E, como mudam de idéia como trocam de roupa, estão sempre experimentando novidades.
Para o veterano Kadu Moliterno - que protagonizou, ao lado de André Di Biasi e Andréa Beltrão, o seriado Armação ilimitada, os jovens gostam é de ação. Eles viajam nas aventuras que vêem na tevê. Esse negócio de programa de auditório já cansou, alfineta.
Para agradar ao jovem, o programa tem de ter uma química perfeita: o apresentador tem que parecer um amigo de longa data, e o conteúdo não pode ser maçante, nem bobo. Tampouco o programa pode impor regras. E mesmo com tudo isso, pode ser que não dê certo.
Daniele Winitts, que viu seu plano de apresentadora de game show ir por água abaixo com o fim de Ponto a Ponto, acredita que o público jovem necessita de espaço para se expressar. Eles querem ficar livres para dar suas opiniões, teoriza.
Encontrar a fórmula que acerte em cheio o gosto do adolescente é para lá de difícil. Até porque, como os adolescentes são inconstantes, o que é bom hoje para eles, amanhã pode não ser.
O jovem é sempre um rebelde. E, se perceber que está sendo fisgado por uma fórmula, muda de canal. O jovem gosta de surpresas, avisa, com conhecimento de causa, o ex-apresentador e diretor da MTV, e atual repórter do Fantástico, Zeca Camargo.


