Zeca Corrêa Leite
Anteontem, no miniauditório do Guaíra, o espetáculo ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’, de Dalton Trevisan, completou 836 apresentações, em sete anos desde a estréia. Na última segunda-feira, a peça foi mostrada no palco do Teatro Positivo, em Curitiba. A platéia, composta por adolescentes, divertiu-se com as aventuras dos personagens - ali estavam pequenas crônicas do dia-a-dia, passando pelos seus olhos, como se fossem páginas desdobradas de um livro.
Mais de duzentos alunos das 1ª e 2ª séries do colégio passaram pelo teatro. A iniciativa da escola faz parte das atividades extracurriculares, mas dentro de um contexto de interesses. Por exemplo, no momento a garotada está lendo ‘‘Em Busca da Curitiba Perdida’’, de Trevisan.
Os jovens divertiram-se com a montagem, não há dúvida. O olhar sobre a velha cidade talvez tenha passado um pouco de relance, e foram solenemente ignoradas algumas pistas que não fazem parte de seu mundo. Como as tais ‘‘toalhinhas’’ nos dias de menstruação e o Hotel Carioca, que era um dos endereços para os encontros amorosos, ainda nos anos 70.
O ator Paulo Friebe credita a receptividade dos jovens ‘‘pela linguagem despojada, simples’’ de Trevisan. Como a peça é a dramatização, na íntegra, de contos que retratam a cidade dos anos 40 a 60, ele mais uma vez surpreendeu-se com o interesse demonstrado pelos estudantes.
Especialmente com aqueles que estiveram na primeira sessão. ‘‘Era um público mais compenetrado.’’ Ao final da segunda apresentação, explicou ao público que ‘‘teatro é diferente de cinema’’. Enquanto uma arte é ao vivo, a outra são imagens projetadas na tela. Esse preâmbulo foi usado para reclamar de duas garotas, sentadas na segunda fileira, que conversaram o tempo todo. ‘‘A gente perde a concentração’’, explicou o ator.
De modo geral, a veneranda Lala Schneider achou a platéia talentosa. ‘‘Eles vieram realmente para ouvir o espetáculo. Prestavam atenção nas cenas - e jovem não é de ter paciência e ouvir.’’ Também no miniauditório do Teatro Guaíra, eles estão comparecendo. Numa das últimas apresentações parte do público voltou para casa, porque foi impossível acomodá-lo no auditório de 120 lugares. ‘‘Tinha gente na escada, na cabine de iluminação’’, contou.
Fernanda Matsubara, de 16 anos, disse ter ‘‘adorado’’ ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’, porque dá para sentir na montagem ‘‘muito de Curitiba’’. Ela integra aquele grupo de espectadores que assiste a uma peça ‘‘de vez em quando’’, e geralmente isso acontece durante o Festival de Teatro de Curitiba.
Outra jovem que também ‘‘às vezes’’ vai ao teatro é Jaqueline Dompsin de Moraes, 15 anos. ‘‘É um trabalho muito bom e muito interessante’’, comentou. Elogiou a iniciativa da escola, mas não se lembra qual o último espetáculo que assistiu.
O diretor do Positivo, João Batista Machado, orgulha-se em dizer que Letícia Sabatela e Guta Stresser foram alunas da instituição e ali deram seus primeiros passos artísticos. Ambas profissionalizaram-se como atrizes e estão no Rio de Janeiro. Letícia ocupa-se na maior parte do tempo com a televisão; Guta com os palcos. Aliás, ela era a polaquinha de ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’, quando a peça estreou, sete anos atrás, no Teatro Novelas Curitibanas.
O espetáculo ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’ continua em cartaz no miniauditório do Teatro Guaíra, em Curitiba, às terças e quartas-feiras, às 19h30. Ingressos R$ 5,00.O espetáculo ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’, de Dalton Trevisan, cativa a platéia jovem do Teatro Positivo em Curitiba
Alessandra Haro

Cena de ‘‘O Vampiro e a Polaquinha’’ e a platéia do Positivo: concentração para assistir a um ‘‘clássico’’ do teatro paranaense

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