ADEUS, ROBINSON!
Simone Mattos
Com temporada curitibana agendada somente para o mês de setembro, a peça Adeus, Robinson! poderá ser assistida em primeira-mão neste final de semana, durante a programação do Festival de Inverno da Federação Espírita do Paraná (FEP). O texto original do escritor belga Júlio Cortázar foi pesquisado e produzido pelo Grupo Resistência de Teatro, com direção de Márcio Abreu. Esta é a primeira vez que a peça está sendo montada no Brasil.
Os temas explorados pelo belga são os mesmos que o grupo vem pesquisando nos últimos tempos, o que justificaria a escolha do texto. A solidão, as viagens, o universo urbano e as relações humanas nos levaram a Robinson Crusoé, explica o diretor da montagem.
O texto original de Adeus Robinson é radiofônico, ou seja, a história foi escrita para o rádio. Por isso, os diálogos e a sonoplastia da peça são extremamente ricos.
A montagem traz à cena os lendários personagens Robson Crusoé e seu criado Sexta-Feira, vivendo aquela que talvez seja a maior de suas aventuras, a descoberta deles mesmos.
A obra narra o retorno da dupla, 300 anos depois, à ilha Juan Fernandez, onde Crusoé viveu muito tempo solitário. Quando chegam ao local, eles se surpreendem com uma metrópole agitada, cheia de avenidas largas, prédios altos e população apressada.
A princípio fascinado com o progresso que sempre defendeu, Robinson descobre neste cenário uma estranha solidão, bem diferente da que havia experimentado quando morava sozinho na ilha: a solidão do homem moderno que mora nas cidades grandes.
Com um texto simples e bem-humorado, o autor belga despe a imagem do mito Robson Crusoé para mostrar um homem comum, numa busca sincera e difícil pela sua felicidade própria.
Segundo o diretor da montagem curitibana, Adeus, Robinson! é uma fábula sobre a solidão, onde o personagem principal tenta se reencontrar e resgatar ele mesmo. A idéia é estabelecer uma analogia com o velho-clichê da cidade grande, onde a relação entre as pessoas se restringe a cumprimentos formais nos elevadores. Isto é tão óbvio que às vezes até perdemos a dimensão do problema, afirma Abreu.
No elenco da peça estão os atores Marcelo Munhoz, Moacir Leal e Wynia Araújo, todos integrantes do Grupo Resistência de Teatro, que está completando sete anos de existência. No currículo da trupe estão trabalhos como Paredes de Vento, que venceu vários prêmios em festivais nacionais de 1995 e Killer Disney, eleita a melhor peça de 1997 pelo Troféu Gralha Azul.
A peça Adeus, Robinson!, com o Grupo Resistência de Teatro, poderá ser assistida hoje, às 21 horas, e amanhã, às 19 horas, no teatro da Federação Espírita do Paraná (Alameda Cabral, 300, fone 223-6174). O preço dos ingressos é R$ 5,00.A trupe curitibana do Grupo Resistência apresenta, pela primeira vez no Brasil, a peça Adeus, Robinson!, escrita pelo belga Julio Cortázar
Roberto ReintenbachOs atores Moacir Leal e Marcelo Munhoz em cena, na peça dirigida por Márcio AbreuRoberto ReintenbachWynia Araújo e Marcelo Munhoz (ao fundo), no palco do teatro da Federação Espírita do Paraná (Fep)





