Adeus não; até breve!!
Francelino França
de Londrina
A paixão pela música fez com que muitos deixassem suas cidades, algumas há milhas e milhas daqui, para participar do 19º Festival de Música de Londrina. Muitos pensam em repetir a dose no próximo ano
Eles chegaram dos quatro cantos do País, trazendo na bagagem dois elementos importantes da nossa identidade cultural: o idioma e a paixão pela música. No total, o 19º Festival abrigou 879 alunos interessados em aprender, pensar, respirar, comer e emanar música durante 13 dias. O nome da cidade irradiará por todo o Brasil, depois da partida deles. Na volta para casa, além de fotos, partituras, endereços e telefones de muita gente diferente, um considerável avanço na bagagem musical. Novos parâmetros e horizontes foram traçados aqui.
A carência de boas escolas e de professores qualificados para o ensino de música são irrefutáveis motivos para atrair alunos de distantes localidades para Londrina. A pianista paraense Adalgina Reinert riscou os céus do Brasil em mais de 3.500 km de viagem, em busca de uma matéria interessante para seu mestrado. Deparou-se com o curso de Etnomusicologia e entrou em contato com um panorama musical distinto daquele aprendido em anos de música.
Tive contato com etnias musicais do mundo inteiro. No Nordeste, por exemplo, descobri que o caboclo faz seu instrumento, aproveita até o canto das lavadeiras. Como em Belém existem regiões com muitas aldeias indígenas, pretendo seguir para esse lado em meus estudos, afirma Adalgina.
A pianista e educadora musical acompanha também a filha, Gina Reinert, no curso de violino. Ela quer vir morar aqui, revela. Do clima acolhedor do londrinense e do clima frio da região, a pianista não esquecerá. Na tropical capital do Pará, a média de temperatura é 37 graus. Em Londrina, mãe e filha sofreram com as baixas temperaturas, o que ocasionou até uma visita de Adalgina ao pronto-socorro, vitimada por uma forte faringite. A pianista queixou-se da falta de um bom teatro em Londrina, um local que se equipare ao nível dos artistas que se apresentam na cidade.
Outra estudante realmente disposta a ampliar os horizontes, que também se deslocou da Região Norte, é Loemi Santana, 19 anos. De Santarém (PA), ela viajou de barco até Itaituba pelo Rio Tapajós, seguindo de ônibus até Cuiabá (MT), para finalmente desembarcar em Londrina. Entre paradas para descanso, no total foram 8 dias até adentrar as dependências do Colégio Mãe de Deus, sede do Festival de Música. Com a ausência de professores com formação, Loemi veio buscar aperfeiçoamento na área do canto. Por isso, foram fundamentais os conhecimentos adquiridos com Sônia Prazeres e Marcos Leite. Ensino música para alunos que chegam cansados e só agora conhecendo exercícios de motivação, relaxamento e dinâmica posso melhorar o nível das aulas, avalia Loemi.
Do extremo norte de Tocantis, mais precisamente de Araguaína, a londrinense Alline Lais Schoen, radicada há dois anos por aquelas paragens, pretende voltar no ano 2000 para prestar vestibular de Música na Universidade Estadual de Londrina. Sobre sua participação nesta edição do FML, Alline leva de volta novidades para seu aperfeiçoamento no piano e flauta doce. Aprendi técnicas contemporâneas, que permitem uma sonoridade mais bonita para o piano, e também melhorei muito na área de interpretação pianística, sintetiza a musicista.
Raquel Therezinha Negreiros, 16 anos, também se ressente da falta de escolas de música em sua cidade, Macapá (AP). Desde que se transferiu para aquela capital, há exatos 3 anos, foi obrigada a interromper seus estudos de piano e canto. Agora, teve a oportunidade de participar do curso de canto lírico. A professora Denise Sartori me fez sentir muito à vontade durante as aulas. Essa é minha segunda participação no Festival e pretendo voltar no próximo ano, diz convicta. Dos concertos deste ano, Raquel leva na lembrança a noite memorável com o flautista Altamiro Carrilho.
Uma trupe de 15 músicos goianos desembarcou em Londrina, juntamente com o violonista André Rezende Rosa, 18 anos, graduando em Música em Goiânia (GO). Minha visão sobre a profissionalização do músico mudou depois deste Festival. Entrar em contato com outros músicos foi importante, porque percebi a diferença de formação entre a gente, revela.
Para a maratona musical, André esticou ao máximo R$ 350,00 que precisou desembolsar - as passagens foram bancadas pela faculdade em Goiânia. Rompendo as barreiras do meio musical goiano, o músico fez um verdadeiro intensivão com os professores Ricardo Tacuchian e Edelton Gloeden. Nas mochila, leva muito material para seu desenvolvimento nas técnicas do violão e várias partituras.





