Adeus aos clichês
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sexta-feira, 01 de maio de 2015
Anna Bittencourt<br>TV Press 
No ar desde 1999, o "Zorra Total" precisava de uma reformulação. Ano após ano, o humorístico das noites de sábado vinha perdendo audiência os 17 pontos de média registrados no Ibope no último ano são só a metade do que obtinha em 2006. Por isso, o diretor Maurício Farias e o ator e roteirista Marcius Melhem foram os encarregados de repaginar a produção, chamada agora de apenas "Zorra". O objetivo principal é abandonar a "fórmula" pronta e já tão desgastada. Sem clichês, bordões, personagens fixos e o abuso de mulheres seminuas, o "Zorra" entra em uma fase mais cotidiana, buscando retratar o dia a dia dos telespectadores. Aos moldes do "Tá no Ar: A TV na TV", da dupla Maurício e Marcius, que ainda tinha o reforço de Marcelo Adnet, o programa ganhou agilidade. Agora, terá cerca de 30 esquetes por edição, duas vezes mais do que seu antigo formato. "Procuramos focar no dia a dia e trazer inovação. Mas com o cuidado de não perder o público que já era cativo e ainda ganhar quem torcia o nariz para o molde antigo. O que propomos é uma renovação de linguagem", conceitua Melhem.
Redator final do "Zorra", Marcius tem conhecimento de causa. Por cinco anos, fez parte do antigo "Zorra Total". Por isso, foi cauteloso ao promover as mudanças. O primeiro passo foi manter algumas das figuras já conhecidas no humorístico. Fabiana Karla, Rodrigo Sant´Anna e Mariana Santos permanecem na produção. Mas é claro que, para uma reformulação completa, novas "caras" eram necessárias. Para isso, Dani Calabresa, Luís Miranda, Débora Lamm são algumas das novidades que completam o elenco formado por 45 atores. Se o número do "casting" assusta, a redação comandada por Marcius não deixa a desejar. São 20 roteiristas, o maior contingente da história da Globo em programas de humor. "Manter quem já estava e trazer pessoas novas, tanto no elenco quanto na redação, foi fundamental para que a gente fosse capaz de seguir em frente sem perder a identidade", garante Maurício Farias.
Com tanta gente envolvida no processo de produção do programa, a rotina não fica muito puxada para ninguém. As gravações vão de segunda a sexta, mas os atores não gravam necessariamente todos os dias. "É uma delícia trabalhar assim porque, ao mesmo tempo que estou focada aqui, posso me aventurar em outras áreas", garante a atriz Mariana Santos. Os roteiristas, debruçados no projeto desde julho do ano passado, têm uma rotina mais corrida. São três reuniões semanais para discutir ideias para, depois, cada um escrever em casa o que ficou a seu cargo. Luciana Fregolente, que assinou e atuou em "As Alucinadas", do Multishow, conta que a regra é não ter personagens fixos. "Mas quando achamos que a piada é boa ou que o personagem rende, trazemos isso mais duas ou três vezes", explica ela.
Para dar um ar mais verossímil ao "Zorra", o processo de produção também foi repensado. Foram criados espaços multiuso para as gravações. Além disso, a nova aposta é em cenas externas. "Se a esquete for na praia, em vez de criar um cenário de praia em estúdio, vamos para a rua gravar", conta a cenógrafa Fumi Hashimoto. Tantas novidades deixam o elenco confiante. "Cria" dos humorísticos que fizeram sucesso na extinta versão aberta da MTV, a ex-"CQC" Dani Calabresa garante que o novo formato do "Zorra" foi fundamental para que ela deixasse a Band rumo à Globo. "É uma mistura de 'Comédia MTV', 'Porta dos Fundos', 'Tá no Ar: A TV na TV' e 'TV Pirata'. É um prato cheio para uma atriz que, como eu, estava sentindo falta de fazer vários personagens", finaliza.


