Adeus à casa das Artes
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Um dos principais celeiros das expressões artísticas londrinenses está sendo demolido. Os barracões de peroba que por mais de 30 anos abrigaram o Departamento de Arte Visual da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no campus da instituição, em breve serão substituídos por prédios de alvenaria. O motivo é ceder espaço para a ampliação do Centro de Ciências Humanas (CCH). Os cursos realizados no antigo endereço foram transferidos desde abril do ano passado para o Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca).
"Essa foi uma decisão do governo administrativo da UEL, que em 2010 cedeu aquele espaço ao CCH. A demolição dos barracões é necessária porque temos uma demanda muito grande de alunos e não há mais espaço para ampliarmos nossa estrutura", explicou a diretora do CCH, Miriam Denoti.
Segundo ela, ainda não foi definido o que irá funcionar no espaço dos antigos barracões, mas dois deles serão poupados. "Dois barracões serão mantidos porque sabemos a importância deles na história da UEL. Ainda estamos estudando o que vai funcionar nos prédios de serão construídos porque temos necessidade de ampliar o número de salas de aulas e laboratórios", afirmou a diretora do CCH.
A estudante e integrante do Centro Acadêmico de Artes, Aline Luz, ressaltou a memória efetiva que alunos, professores e servidores têm em relação aos barracões de madeira. "Estamos estudando nos novos prédios, mas lá é ambiente frio se comparado com os barracões em termos de relação interpessoal. Tínhamos problemas estruturais, como goteiras em dias de chuva, mas já estávamos acostumados a conviver naquele espaço o dia todo, lendo um livro embaixo da árvore, vendo as pessoas fazerem trabalhos nos pátios ou simplesmente observando o movimento da UEL. Para manter pelo menos parte dessa memória viva, fizemos várias manifestações no ano passado pedindo que alguns barracões fossem mantidos. Ainda bem que conseguimos que dois deles não fossem destruídos", contou a estudante.
Funcionário do laboratório de fotografia há 24 anos, José Marques Neto, popularmente conhecido como "Negativo", também destacou a afetividade em torno dos barracões de madeira. "Esse espaço sempre foi muito especial dentro da UEL. Entendemos que algumas mudanças são necessárias, mas é impossível não sentir pena ao ver que os barracões de madeira estão sendo destruídos", salientou.
De acordo com o chefe da Divisão de Manutenção da UEL, o material proveniente da demolição dos barracões de madeira será armazenado na prefeitura da instituição. "Usaremos as madeiras e os demais itens nos serviços de manutenção que forem surgindo", afirmou Valdir Marques Viana. Ele informou que o serviço de demolição teve início na semana passada e deve ser concluído dentro de aproximadamente 90 dias.
Segundo a vice-diretora do Ceca, os dois barracões que serão mantidos onde funcionava o Departamento de Arte Visual abrigarão a TV UEL, o Programa Ludoteca e os centros acadêmicas do próprio Ceca.


