Adereços de orixá
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Sucursal de Curitiba 
A Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, realiza hoje, Dia Nacional da Consciência Negra, a exposição Abebé, do artista plástico baiano Gilmar Tavares. A mostra apresenta adereços e paramentos utilizados pelos orixás dentro da cultura e religião afro-brasileira do candomblé. O artista trabalha com o objetivo justamente de imortalizar e difundir esta cultura.
Gilmar Tavares é natural de Salvador e tem 36 anos. Desde os 12 anos de idade ele faz trabalhos voltados ao candomblé, religião que segue, e tem o título hierárquico de Pejigiã de Obaluaiê, sendo filho de Orixá Oxalá. Foi para Oxalá que ele dedicou sua primeira exposição, em 1991, na casa do Benin, em Salvador, tendo como título Epa Baba, que é uma saudação ao santo.
Tendo sempre como inspiração esta religiosidade, Tavares escolhe materiais em metal vazado. Apesar de obedecer à tradição, ele criou um estilo próprio para a criação de suas obras. Isto já lhe valeu convites para exposições internacionais, em países como Argentina, Estados Unidos e Alemanha. Na Alemanha, em Frankfurt, seus trabalhos fazem parte do Museu de Antropologia. No Brasil, além das mostras, as obras podem ser encontradas em terreiros de candomblé conceituados, como os de Gantois e Exé Opo Afonja, de Salvador.
Abebé O título da exposição, Abebé, é o nome do leque ritual do Orixá Oxum, o ventre, o útero progenitor. É adornado por pássaros ou peixes, que são sinônimo de procriação. No centro, tem um espelho de forma arredondada, lembrando o bojo terrestre e o reflexo dourado revelado por rios e lagos, quando o sol toca sua face.
Num plano geral, esse leque representa a realeza, a dinastia e a continuidade, o impulso de feminilidade que recebe e multiplica como rios e lagos, que, em seu interior, estão repletos de vida e riqueza, explica o artista.
q Abebé - exposição do artista plástico baiano Gilmar Tavares, baseada nos adereços de orixás. Hall do segundo andar da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133, em Curitiba). De 20 a 30 de novembro. Entrada franca.


