O poeta paulista Ademir Assunção nunca esteve exatamente distante da música. Suas letras viraram música em discos de Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Maricene Costa, Titane, Madan e Patrícia Ahmaral. Hoje, às 19h30, no entanto, ele próprio empunha o microfone, compõe, assovia e chupa cana no CD ''Rebelião na Zona Fantasma''.
Trata-se de um esforço independente que consumiu nove anos de trabalho, uma blitz sonora que começou em 1996, passou por clubes de jazz e já esteve até na favela Monte Azul, tornando-se o que é hoje.
Poesia não recebe ''mensalão'', então Ademir vendeu um carro, apertou os cintos, racionou a cerveja e eis que o disco, enfim, saiu (à própria custa S/A).
É uma poesia pop, como Leminski fez um dia. Tem blues, jazz, baladas, rock'n'roll. Engrossado pela presença de Zeca Baleiro e Edvaldo Santana, ''Rebelião na Zona Fantasma'' insere-se numa tradição de poesia cantada que começa lá com os beatniks e prossegue até hoje - basta ver o disco que Michael McClure lançou com Ray Manzarek, dos Doors. Mas é um veio inexplorado no Brasil.
A banda é de respeito: Luiz Waack (ex-banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção) nas guitarras e violões; Mintcho Garramone (que toca com Edvaldo Santana e Hermeto Pascoal) no baixo; o baterista Eduardo Batistella; o tecladista Daniel Szafran; o violinista Celmo Reis; além dos convidados Madan (violão e voz) e Ricardo Garcia (percussão). A capa, de Paulo Stocker, é inspirada na Festa dos Mortos mexicana.

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