As ruínas de uma metrópole em meio ao caos urbano já presente em grandes cidades brasileiras serve de cenário para o mais recente livro de Ademir Assunção, "Pig Brother" (Patuá, 2015). Além de lançar a obra no Festival Literário de Londrina (Londrix), o escritor participa do debate "Urbanidade e Poseia", que também contará com o escritor brasiliense radicado em Curitiba Guilherme Gontijo Flores. O evento será realizado às 19 horas, no Centro Cultural Sesi/AML.
Lançado nacionalmente no mês de junho, "Pig Brother" apresenta um mundo de ruínas, personagens barras-pesadas num cenário marcado pela brutalidade e pela falta de sentido.
Morando em São Paulo há 30 anos após residir um período em Londrina, Assunção fala sobre como o meio em que vive acaba influenciando suas obras. "Meu trabalho é muito marcado pela geografia, pelas pessoas, vida noturna e pelos lugares que frequento em São Paulo, como cinema, teatro e restaurantes. Ao mesmo tempo isso é meio paradoxal, pois minha poesia não faz um retrato da realidade concreta presente na cidade", avalia.
Assunção afirma também reconhecer a influência de grandes centros em livros de outros autores. "São Paulo está muito presente na obra de Ignácio de Loyola Brandão. O mesmo acontece com Paulo Leminski, que retratou uma interferência surreal de Curitiba em seu livros. Mas essa ligação depende muito da relação que o escritor mantém com a cidade onde vive", argumenta.
Na opinião dele, o modo de produção e consumo desenfreado tem deixado um triste retrato em todo o mundo, principalmente nas grandes metrópoles. "Vivemos uma sociedade industrial que está saqueando o planeta. Até o abastecimento de água foi privatizado e o único interesse do setor é o lucro dos acionistas. Embora a imprensa não mostre, a zona leste de São Paulo, que possui 4,5 milhões de habitantes, sofre com racionamento de água que muitas vezes vai das nove horas da manhã até às nove da noite. Não falo sob o ponto de vista de um ambientalista, mas do ponto de vista literário. Trabalho com o lado criativo que acaba sofrendo uma influência direta da realidade na qual estou inserido", enfatiza.
Além de "Pig Brother", Assunção também lança em Londrina o livro "Até Nenhum Lugar" (Patuá, 2015), obra que apresenta percepções marcadas pelo zen budismo e por viagens a diversas cidades, serras e praias brasileiras.
Formado em jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o escritor trabalhou como repórter e editor na Folha de Londrina, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde e Folha de S. Paulo, além de ser coeditar a revista literária K'an. Também participou de exposições de poesia visual na França, Austrália e Portugal. É um dos editores da revista Coyote, com os poetas Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes.
Como letrista, tem parcerias gravadas em discos de Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Madan e Ney Matogrosso, entre outros. Possui poemas e contos em diversas antologias brasileiras e internacionais, publicadas na Argentina, México, Peru e EUA.
Já Guilherme Gontijo Flores é poeta, professor de literatura latina e tradutor. Publicou o livro de poemas "Brasa Enganosa", com o qual foi finalista do prêmio Portugal de Literatura de 2014, e as traduções de "As Janelas", seguidas de poemas em prosa franceses, de Rainer Maria Rilke (em parceria com Bruno d'Abruzzo), "d'A Anatomia da Melancolia", de Robert Burton, em 4 volumes (prêmios APCA e Jabuti de tradução).

Serviço:
Debate "Urbanidade e Poesia?", com Ademir Assunção e Guilherme Gontijo Flores
Quando – Hoje, às 19 horas
Onde – Centro Cultural Sesi/AML (Praça Primeiro de Maio, 130)
Entrada gratuita

Imagem ilustrativa da imagem Ademir Assunção debate poesia em meio ao caos
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