São Paulo - A Amy Winehouse encontrada morta em decorrência do consumo de álcool abusivo após um período de abstinência, há pouco mais de um ano, em sua casa em Camden Town, bairro no norte de Londres, já era um espectro daquilo que encantou o mundo. Sua despedida naquele triste sábado de 23 de julho, contudo, já era anunciada devido aos seus excessos em drogas e álcool. O mundo assistiu seu definhamento pelas manchetes e por meio de fotos em que seu corpo se tornava cada vez mais cadavérico, enquanto sua voz tornava-se mais fraca.
Ao longo desse um ano, a triste cena de uma Amy combalida, como a exibida no Brasil em turnê de cinco shows (Florianópolis, dois no Rio de Janeiro, Recife e São Paulo), também em 2011, ficou para trás. Na memória, nos iPods e tocadores de música, seu vozeirão ainda revitalizava o soul com os discos ''Frank'' (2003) e ''Back to Black'' (2006).
Com a saudade, cresceu uma aparente necessidade de se encontrar uma nova Amy Winehouse: alguém com estilo, uma voz única, suingue e uma queda pelo soul e jazz. Comparações surgiram aos montes - para sorte de algumas, e azar de outras. Adele, fenômeno de vendas e recordes, é quem mais encontrou espaço na via aberta por Amy.
Para compensar a falta de elementos rítmicos do jazz, a rechonchuda inglesa foi fundo no soul, buscou na alma (com o perdão pelo trocadilho) e no coração partido inspiração. A voz, aveludada e bem treinada é menos desdenhosa e possui mais técnica do que Amy. Não por acaso, tornou-se o furacão de vendas. O álbum ''21'', lançado em janeiro de 2011, por exemplo, superou, em dezembro passado, os 3,3 milhões de cópias vendidas de ''Back To Black'', roubando-lhe o primeiro lugar na parada de discos mais vendidos no Reino Unido neste século. Depois, Adele desbancou recordes dos Beatles, Michael Jackson e Madonna, e, na cerimônia do Grammy deste ano, levou seis gramofones dourados para sua já abastecida estante.
Mas o legado de Amy pode ser sentido (e ouvido) em uma porção de outras cantoras que a adotaram como referência - musical e fashion, vide o cabelo em formato de colmeia usado pela belga Selah Sue. Ela, aos 23 anos, é uma cria dessa geração Amy e Adele, unindo as duas como referências quando solta sua voz doce e despojada.
Material póstumo
Amy Winehouse, cuja mãe, Janis, acredita que tenha reencarnado como uma borboleta, ainda tem material para outros álbuns. ''Lioness: Hidden Treasures'', primeiro dos muitos discos póstumos prometidos pelo pai Mitch, lançado em dezembro, galgou para a primeira posição britânica, vendendo 500 mil discos recentemente, apesar do material fraco. O senhor Winehouse, que escreveu o livro ''Amy, Minha Filha'', ainda cogita levar Amy de volta para os palcos, na forma de holograma, como o rapper Tupac, no festival Coachella. Como ela mesma já cantou: ''No! No! No!''

mockup