Addams tropicais
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de janeiro de 2013
Ricardo Vieira<br>TV Press 
A morte é um assunto delicado. Com a história de uma família que sobrevive através desse momento triste, Miguel Falabella vai tentar dar leveza ao tema. "A morte é o nosso negócio. A sua tristeza é a nossa alegria" é o lema dos personagens de "Pé na Cova", seriado que estreia no próximo dia 24, na Globo. Ator e autor do seriado, que terá 24 episódios em sua primeira temporada, Falabella costuma pensar na família Pereira como a "Família Addams" brasileira.
Isso não por acaso. O autor se inspirou ao assistir o musical da mórbida família americana, em Nova Iorque, e imaginou como seria aquilo no Brasil. Só que com um detalhe: no subúrbio carioca. "Eles sobrevivem da morte, não têm dinheiro para nada, não têm instrução e são completamente loucos. Mas têm uma relação de família, e essa relação prevalece no final, apesar de qualquer coisa", destaca Miguel.
Na trama, Miguel é Ruço, patriarca da disfuncional família Pereira. Os acontecimentos giram em torno da F.U.I. Funerária Unidos do Irajá , herdada por Ruço de seu pai. Ele tem dois filhos com Darlene, personagem de Marília Pêra, sua ex-mulher: Alessanderson e Odete Roitman, interpretados por Daniel Torres e Luma Costa. Apesar de separados, dividem o mesmo teto, onde também vivem a antiga babá Bá, de Niana Machado, e a nova bem mais nova esposa, Abigail, de Lorena Comparato. Além deles, a produção conta com outros personagens fixos, a maioria deles criados sob medida pelo autor. "Estou muito feliz de trabalhar com o elenco que escolhi. Os personagens foram escritos para esses atores, com exceção do papel do (Alexandre) Zacchia, que veio substituindo muito bem o Ney Latorrca", conta Miguel.
Entre as escolhas do autor estão algumas estreantes em televisão. A atriz e cantora Sabrina Korgut, apesar de vasta experiência no teatro, aparece na tevê pela primeira vez somente agora, como a empregada doméstica Adenoide. Junto com ela, outra cantora, Mart´nália, dá os primeiros passos em uma nova carreira. Ela interpreta a borracheira Tamanco, que namora a filha de Ruço, Odete Roitman. Junto com a ansiedade pela estreia do novo trabalho, Mart´nália também convive com a insegurança. "Minha dicção é péssima. Nunca fiz esse trabalho. Confiante a gente nunca está, porque nunca fez isso. Mas está legal", analisa.
A falta de segurança da "atriz improvisada" é vista com naturalidade pelos colegas de elenco. "É porque ela não é atriz, mas tem uma veia artística no sangue, não precisa mais do que isso. Eu falo que no suingue e na ginga ela se vira em qualquer profissão", analisa Luma Costa, que faz o par de Mart´nália na trama.
Além do elenco escolhido a dedo, Falabella conta com uma parceira de longa data na direção-geral de "Pé na Cova": Cininha de Paula. Depois de trabalharem juntos nos outros dois seriados criados por ele, "Sai de Baixo" e "Toma Lá Dá Cá", eles agora buscam brincar com o tema da morte. Para fazer isso, Cininha apostou em referências que vão desde exemplos da luz do seriado americano "Breaking Bad", até figurinos utilizados nas criações dos cineastas Joel e Ethan Coen, mais conhecidos como os Irmãos Coen. "Eu gosto de trabalhar com referência. Acho que elas são super importantes, ficam de certa forma impressas no seu inconsciente", acredita. Para compor a cenografia, Cininha e sua equipe passaram muito tempo no Irajá. Mais precisamente no cemitério do Irajá, onde os azulejos atraíram a atenção por estarem em praticamente todos os túmulos. E a morte, como não poderia deixar de ser, guiou a cinematografia utilizada na série.
Para Cininha, a morte circunda a família, então ela espreita, como quem olha através de uma janela. "Com isso, eu parti para a câmara na mão, no estúdio, que é onde existe essa presença", explica. Já nas gravações externas, a câmara é fixa. "Porque a vida está lá fora, mesmo que seja na frente do cemitério", conclui.


