Los Angeles, EUA - Nem seus 25 anos como comediante conseguiram tirar o mau humor matinal. Essa é a marca registrada deste ator, estrela de filmes como ''Embriagado de Amor'' (2002) e ''Click'' (2006), que agora lança outra comédia, ''Zohan - O Agente Bom de Corte'', que estreou nas telas brasileiras na última sexta-feira (veja programação de cinema na página 2). Nela, vive um agente israelense que vira cabeleireiro nos EUA, num filme cheio de piadas sobre judeus e palestinos.

Esperando seu segundo filho com a mulher Jackie Sandler, Adam também é cantor nas horas vagas e viciado em músicas dos anos 80. Na entrevista para o lançamento de ''Zohan'', em Los Angeles, ele falou à reportagem sobre música, filhos a cenas constrangedoras de sua carreira.

Neste último filme, você se superou no quesito cenas constrangedoras. Qual foi a pior?
Sem dúvida foi a cena em que uma senhora com a idade de minha mãe lambe meu mamilo com creme de chantilly. Quando a senhora descobriu que teria de fazer isso, entrou em pânico. Pior, tivemos de repetir a cena em quatro takes. Enquanto ela lambia, eu pensava ''minha mulher já fez isso antes, parece um pouco, espero não ter nenhuma reação aqui''. Então, comecei a tremer e rir. E tivemos que fazer de novo.

Afinal, por que viver um cabeleireiro israelense garanhão? De onde você tirou essa idéia?
Meu próprio cabeleireiro me inspirou. Ele é israelense. Toda vez que vou ao salão, ele corta meu cabelo e puxa papo sobre temas como o terrorismo. Ao mesmo tempo em que fala de guerra, é de uma delicadeza com as mãos... Esta contradição só poderia render uma comédia.

Virou marca registrada dos seus filmes a presença de músicas dos anos 80. Alguma razão especial?
Foi a década mais importante da minha vida. Eu tinha uma banda no colegial e reproduzíamos as músicas famosas da época. Confesso que, quando ouço músicas dos anos 90, por exemplo, sinto um estranhamento.

Que cantor dos anos 80 você gostaria de ser?
Durante muito tempo quis ser o Sting, mas logo me cansava e arrumava um outro ídolo.

Chegou a compor alguma coisa para o ''Zohan''?
Não, apenas participo de festivais cantando e tocando guitarra.

Você é amigo do ator Rob Schneider (que vive em Zohan um taxista palestino) e repete a parceria com ele frequentemente. A piada não perde a graça depois de tanto tempo de convívio?
Não conseguimos mais rir de nossas próprias piadas. No máximo, falamos ''nossa, isso é engraçado'', mas com aquela cara de quem está lendo o obituário. O humor virou rotina para nós. Nem sorrimos mais, apenas nos divertimos por dentro.

Você está esperando seu segundo filho para o mês de outubro. Um dia, seus filhos verão suas comédias e os micos que pagou. O que acha disso?
Minha filha Sadie sempre visita o set com a Jackie, mas evidentemente não tem idade para ver meus filmes, pois ainda tem só cinco anos. Espero que um dia eles gostem do trabalho do papai. E não fiquem ofendidos com o chantilly no mamilo (risos).

Afinal de contas, é verdade que você é dono de um certo mau humor matinal?
Costumo acordar de manhã bem mal-humorado, mas passa logo. Isso é o que minha mulher sempre diz. Mas costumo ter uns surtos de mau humor de vez em quando durante o dia. Mas que fique bem claro que eu não faço o tipo nervoso. Sou o estilo culpado, do tipo de pessoa que está numa reunião de família com todo mundo feliz e eu me sentindo mal sem nenhuma razão específica.

Para terminar, e aquela abertura de 180 graus (espacato) que você faz no pôster do filme?
Consegui uma vez mas nunca mais repeti na vida. Já era.

* O repórter viajou a convite da Sony

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