Acordo vai permitir aos ingleses conhecer peças anteriores ao Descobrimento
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terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Cristina R.Durán 
São Paulo, 21 (AE) - Em 2001, primeiro ano do novo milênio, a produção artística brasileira - da arqueologia anterior a 1500 ao neoconcretismo dos anos 60, passando pelo barroco e pela arte popular - vai aterrissar nos principais pólos culturais britânicos. Museus de Londres, Oxford e Cambridge serão palco de mostras de artes visuais. Suas ruas, casas de espetáculos e restaurantes apresentarão o que há de melhor na dança, música e gastronomia brasileiras.
Essa é apenas uma das vertentes da Mostra do Redescobrimento, megaexposição que, de abril a setembro, ocupará 55 mil metros quadrados do Parque do Ibirapuera. Entre 2001 e 2002, a mostra será desmembrada para espalhar-se por mais 16 cidades brasileiras e 17 museus e casas culturais internacionais. "Será, sem dúvida, a exposição das artes visuais brasileiras de maior repercussão no exterior", afirma Edemar Cid Ferreira, presidente da Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais - ligada à Fundação Bienal de São Paulo - que organiza a série de eventos.
Co-curadorias - No exterior, as mostras estão sendo organizadas em conjunto entre os curadores brasileiros e os dos museus internacionais. Assim, cada um realizará exposições individualizadas com base nas suas peculiaridades e nos interesses de cada público.
Com Nelson Aguilar, curador-chefe da mostra, o diplomata Fausto Godoy - destacado pelo Itamaraty para a coordenação internacional do projeto - e Emílio Kalil, na organização dos eventos paralelos, Cid Ferreira esteve na Inglaterra, na semana passada. Cumprindo rigorosa agenda, eles acertaram os últimos detalhes da extensão britânica da Mostra do Redescobrimento.
O primeiro acordo fechado foi com o prestigiado British Museum, que exibirá Amazon Unknown (Amazônia Desconhecida). São peças inéditas no Brasil e no exterior, apresentando a arte produzida pelos povos da Amazônia, milênios antes da descoberta do País. O museu está passando por uma reforma que aliará o estilo clássico do edifício a linhas modernas - um investimento de mais de R$ 400 milhões. O projeto de Norman Foster criou uma futurista cobertura de metal e vidro sobre o pátio interno do museu que, assim, ganhará 7 mil metros quadrados de área coberta para exposições e eventos. A mostra brasileira vai inaugurar a sala Joseph Hoting, que abrigará as exposições temporárias do British. Estratégia - Não por acaso, Oxford - a 90 km a noroeste de Londres - e Cambridge - 87 km ao norte - são os outros dois pontos escolhidos para exibir a cultura brasileira. "É uma questão estratégica", observa Godoy. "Como centros universitários, ambos são formadores de opinião da comunidade acadêmica britânica". Só para dar uma idéia, pelo menos 12 primeiros-ministros britânicos - entre eles a conservadora Margaret Thatcher - e 16 ganhadores do Prêmio Nobel de diversas nacionalidades passaram pela Universidade de Oxford, que existe há mais de 700 anos.
Sábios e cientistas como Lord Byron, Marlowe e Newton frequentaram Cambridge. Hoje, há cerca de 10 mil estudantes naquela cidade universitária, cuja biblioteca tem mais de 3 milhões de livros. Em Cambridge, entre setembro e dezembro de 2001, o The Fitzwillian Museum exibirá a mostra de arte popular brasileira. A co-curadoria da exposição é do brasileiro Emanoel Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado, e do inglês Duncan Robinson, diretor do Fitzwillian.
São três os museus que abrigarão diferentes mostras brasileiras em Oxford. Abrindo 2001, em janeiro, o Museum of Modern Art daquela cidade, apresentará obras do concretismo e neoconcretismo brasileiros. Os amplos, brancos e bem iluminados espaços e paredes de pé-direito alto daquela casa entusiasmaram Nelson Aguilar, que já imaginou a disposição de obras de Hélio Oiticica em uma das salas. É dele, com Kerry Brougher, a curadoria dessa mostra.
O Ashmolean Museum vai expor obras do barroco brasileiro e trabalhos feitos por artistas estrangeiros que tiveram o Brasil como tema, nos séculos 17 e 18. Já o Pitt Rivers exibirá uma exposição de fotografias etnológicas do Brasil. Todas as mostras serão acompanhadas de catálogos. Além dos espetáculos que estão sendo planejados para arrematar o projeto, o Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, inaugurado em 1997, realizará uma série de debates e palestras sobre a cultura brasileira.


