Quem diria que o cineasta Wes Craven sabe fazer outra coisa sem ser ‘‘Pânico’’ 1, 2 e 3. Pois é, depois da triologia do horror, ele deu um tempo e resolveu explorar outros temas. O resultado é o melodramático ‘‘Música do Coração’’, que deu a Meryl Streep sua 12ª indicação ao Oscar de Melhor Atriz. O filme é baseado na história real da violinista Roberta Guaspari, que depois de uma série de desiluções amorosas e financeiras, vai ensinar música aos alunos de uma escola pública do East Harlem, um dos bairros mais pobres de Nova York.
A exemplo de sua triologia sanguinolenta, ‘‘Música do Coração’’ não escapa à enxurrada de clichês: alunos rebeldes que aprendem a gostar de música e descobrem um novo sentido para a vida. Tudo muito bonito, mas quadrado demais. Mas ‘‘Música do Coração’’ poderia ser ainda pior. É que inicialmente, o papel de Roberta Guaspari deveria ser interpretado por Madonna, mas pop star desistiu duas semanas antes do início das filmagens, o que levou Wes Craven a quebrar o pau com a cantora. Melhor para os telespectadores que puderam, mais uma vez, contar com uma excelente atuação de Meryl Streep. Ela é a melhor coisa do filme.
Mas é preciso dar a mão à palmatória e assumir que ‘‘Música do Coração’’, apesar de todos os seus defeitos, não é um filme ruim. Conta uma história sensível e bem costurada, o que é suficiente para torná-lo passível de ser visto sem sentir vontade de apertar a tecla ‘‘stop’’. Os mais sensíveis vão chorar muito, principalmente, na cena final quando as crianças pobres do East Harlem vão tocar violino no Carnegie Hall e são aplaudidas de pé. Além de gritos, Wes Craven também sabe provocar lágrimas.Lançamento da Paris Filmes. Duração: 126 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
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Reprodução
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Mel Gibson interpreta um agente do FBI que investiga a morte de um jovem
O Hotel de Um Milhão de Dólares
Depois de fazer ‘‘Asas do Desejo’’ e ‘‘Paris, Texas’’ parece que Wim Wenders esqueceu como se faz filmes interessantes. ‘‘O Hotel de Um Milhão de Dólares’’ consegue ser melhor que suas produções anteriores como ‘‘Até o Fim do Mundo’’ e ‘‘O Fim da Violência’’, mas está longe de repetir o mesmo êxito dos dois primeiros. Ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim, o filme é cheio de personagens caracturais demais para parecerem reais.
Com roteiro de Bono, líder do U2, ‘‘O Hotel de Um Milhão de Dólares’’ mostra Mel Gibson (não tão patriota), como um agente do FBI contratado para desvendar o assassinato do filho de um magnata que o ocorreu no hotel que dá título ao filme. Lá, Gibson vai encontrar uma galeria de personagens estranhos como o existencialista Tom Tom, interpretado por Jeremy Davies e o mulucaço Dixie, fanático pelos Beatles, que jura ser o verdadeiro compositor das músicas do grupo. O resto é pura sinfonia visual e muito blá-blá-blá de junkies. É duro de aguentar. Volta pra estrada Wim Wenders.Lançamento da Europa Filmes. Duração: 122 minutos.
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Atuação de Nicolas Cage lembra seu trabalho em ‘‘Despedida em Las Vegas’’
Vivendo no Limite
Com direção de Martin Scorsese e roteiro de Paul Schrader (a mesma dupla de ‘‘Táxi Driver’’), ‘‘Vivendo no Limite’’ mostra Nova York como uma hell’s kitchen (cozinha do inferno). Nicolas Cage, ótimo como sempre, interpreta o páramédico Frank Pierce que atende drogados, prostitutas e sem-teto acidentados nas madrugadas alucinadas da Big Apple pré-Giuliani. E ainda carrega a culpa infundada pela morte de uma adolescente asmática.
Frank vive no limite, no limite da vida de terceiros: é salvá-los ou acumular culpas que o atormentam. Não há climax ou um grande final em ‘‘Vivendo no Limite’’. A história não é ruim, porém mal desenvolvida e apoiada em situações despropositadas. Mas Nicolas Cage está bárbaro. Seu personagem lembra o alcóolatra moribundo de ‘‘Despedida em Las Vegas’’ que lhe deu o Oscar em 1996.Lançamento da Buena Vista. Duração: 120 minutos.

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