Acordes no Harlem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Celso Mattos De Londrina 
Quem diria que o cineasta Wes Craven sabe fazer outra coisa sem ser Pânico 1, 2 e 3. Pois é, depois da triologia do horror, ele deu um tempo e resolveu explorar outros temas. O resultado é o melodramático Música do Coração, que deu a Meryl Streep sua 12ª indicação ao Oscar de Melhor Atriz. O filme é baseado na história real da violinista Roberta Guaspari, que depois de uma série de desiluções amorosas e financeiras, vai ensinar música aos alunos de uma escola pública do East Harlem, um dos bairros mais pobres de Nova York.
A exemplo de sua triologia sanguinolenta, Música do Coração não escapa à enxurrada de clichês: alunos rebeldes que aprendem a gostar de música e descobrem um novo sentido para a vida. Tudo muito bonito, mas quadrado demais. Mas Música do Coração poderia ser ainda pior. É que inicialmente, o papel de Roberta Guaspari deveria ser interpretado por Madonna, mas pop star desistiu duas semanas antes do início das filmagens, o que levou Wes Craven a quebrar o pau com a cantora. Melhor para os telespectadores que puderam, mais uma vez, contar com uma excelente atuação de Meryl Streep. Ela é a melhor coisa do filme.
Mas é preciso dar a mão à palmatória e assumir que Música do Coração, apesar de todos os seus defeitos, não é um filme ruim. Conta uma história sensível e bem costurada, o que é suficiente para torná-lo passível de ser visto sem sentir vontade de apertar a tecla stop. Os mais sensíveis vão chorar muito, principalmente, na cena final quando as crianças pobres do East Harlem vão tocar violino no Carnegie Hall e são aplaudidas de pé. Além de gritos, Wes Craven também sabe provocar lágrimas.Lançamento da Paris Filmes. Duração: 126 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
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Reprodução
Picas>
Mel Gibson interpreta um agente do FBI que investiga a morte de um jovem
O Hotel de Um Milhão de Dólares
Depois de fazer Asas do Desejo e Paris, Texas parece que Wim Wenders esqueceu como se faz filmes interessantes. O Hotel de Um Milhão de Dólares consegue ser melhor que suas produções anteriores como Até o Fim do Mundo e O Fim da Violência, mas está longe de repetir o mesmo êxito dos dois primeiros. Ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim, o filme é cheio de personagens caracturais demais para parecerem reais.
Com roteiro de Bono, líder do U2, O Hotel de Um Milhão de Dólares mostra Mel Gibson (não tão patriota), como um agente do FBI contratado para desvendar o assassinato do filho de um magnata que o ocorreu no hotel que dá título ao filme. Lá, Gibson vai encontrar uma galeria de personagens estranhos como o existencialista Tom Tom, interpretado por Jeremy Davies e o mulucaço Dixie, fanático pelos Beatles, que jura ser o verdadeiro compositor das músicas do grupo. O resto é pura sinfonia visual e muito blá-blá-blá de junkies. É duro de aguentar. Volta pra estrada Wim Wenders.Lançamento da Europa Filmes. Duração: 122 minutos.
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Reprodução
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Atuação de Nicolas Cage lembra seu trabalho em Despedida em Las Vegas
Vivendo no Limite
Com direção de Martin Scorsese e roteiro de Paul Schrader (a mesma dupla de Táxi Driver), Vivendo no Limite mostra Nova York como uma hells kitchen (cozinha do inferno). Nicolas Cage, ótimo como sempre, interpreta o páramédico Frank Pierce que atende drogados, prostitutas e sem-teto acidentados nas madrugadas alucinadas da Big Apple pré-Giuliani. E ainda carrega a culpa infundada pela morte de uma adolescente asmática.
Frank vive no limite, no limite da vida de terceiros: é salvá-los ou acumular culpas que o atormentam. Não há climax ou um grande final em Vivendo no Limite. A história não é ruim, porém mal desenvolvida e apoiada em situações despropositadas. Mas Nicolas Cage está bárbaro. Seu personagem lembra o alcóolatra moribundo de Despedida em Las Vegas que lhe deu o Oscar em 1996.Lançamento da Buena Vista. Duração: 120 minutos.


