Católico praticante, Juninho Bergamin resolveu propagar sua fé evangelizando pessoas por meio de sua música. Com esse objetivo, ele lançou em 2011 o CD "Frutos de uma História". Ao montar a banda para acompanhá-lo nas apresentações ele se viu diante de um desafio: encontrar músicos ligado à religião. No entanto o que parecia ser um problema acabou resultando no grande diferencial em seu trabalho.
"Um músico foi indicando outro e quando percebi havia formado uma banda com 13 músicos dividida entre católicos e evangélicos de várias igrejas", conta o Bergamin. A mistura acabou dando certo e originando o grupo ecumênico Enviados no Espírito. "Atualmente estamos com sete membros e como cada um tem um jeito diferente de tocar, acabamos criando um caminho do meio entre a música gospel (evangélica) e a católica. E essa vivência acabou enriquecendo musicalmente todo mundo", enfatiza o músico.
Bergamin salienta que no tom híbrido dos arranjos das canções, todas compostas por ele, é fácil perceber as influências dos diversos estilos musicais. "Existem solos instrumentais que são típicos da música gospel. Porém as canções mantêm o tom reflexivo e peculiar da música católica", avalia.
Para garantir que a harmonia musical também reflita no relacionamento entre os integrantes da banda, Bergamin afirma que são deixadas de lado questões ligadas à doutrina de cada um. "É como se morássemos todos na mesma casa, cada tem seu quarto e nos encontramos na sala de vez em quando para dialogar sobre assuntos em comum", salienta.
Apesar de apresentar shows em eventos tanto católicos quanto evangélicos, a banda Enviados no Espírito realiza ensaios em um ambiente neutro para garantir a preservação do tom ecumênico do grupo. "Dos sete integrantes, três são católicos e quatro são evangélicos. Ensaiamos em um estúdio que é para não correr o risco de sofrer influências desta ou daquela igreja. Nossa mensagem é que ninguém precisa trocar de religião. Pedimos apenas que o católico seja um baita católico e que o evangélico seja um baita evangélico. Afinal, Deus é um só", argumenta Bergamin. (M.R.)

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