Acordeon e cordas: uma combinação possível
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Será mesmo que a junção de um acordeon a uma orquestra de cordas combina? Àqueles que ficaram curiosos, esta é oportunidade de tirar a prova. Amanhã, às 20h30, no Teatro Crystal Palace, o músico acordeonista, arranjador e compositor Toninho Ferragutti é o convidado da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina para encerrar a 5ª edição da Mostra de Música de Câmara. O concerto, primeiramente, trará repertório orquestral natalino a ser executado pelos músicos da orquestra. Em seguida, o público poderá contemplar uma mistura de sons e ritmos com a inclusão do acordeon, na qual Ferragutti vai mostrar a comunhão entre o clássico e o popular.
Com composições autorais - que integram arranjos elaborados e densos, mas, ao mesmo tempo, de fácil entendimento - fazem parte do espetáculo "Fantasia para Acordeon e Orquestra de Cordas", "Sanfonema", "Solo-Quando me lembro (Luperce Miranda)", "Forro Classudo", "Nem Sol nem Lua" e "Na Sombra da Asa Branca".
Se à primeira vista pode soar estranha essa mistura entre acordeon e instrumentos de cordas, Toninho Ferragutti defende que a fusão não é inusitada, mas pouco comum, pelo menos no Brasil, embora praticada. "O maior problema está em encontrar material disponível. A maioria é voltada para composições regionais e de raiz. Há muito pouco ou quase nada para outros ritmos, como jazz, choro ou orquestra", diz, em entrevista por telefone.
Por isso, o estranhamento inicial do público, conforme ele, acontece pelo fato de poucos acordeonistas dedicarem-se aos diferentes repertórios. "O acordeon se funde muito bem com cordas. Na verdade, serve a todas formações musicais. É mais um instrumento com inúmeras possibilidades de dinâmicas e timbres. A mistura soa sempre muito bonita", resume.
Indicado ao Grammy Latino no ano 2000 como melhor disco de música regional pelo seu CD "Sanfonemas", Ferragutti iniciou seus primeiros acordes em Socorro (SP), sua cidade natal. Desde pequeno foi incentivado pelo pai, Pedro Ferragutti, músico saxofonista e compositor de valsas, choros, dobrados e marchas. "Não gosto de usar essa palavra, mas sou uma pessoa eclética. Meu estilo é mais popular, porém, não deixo de usar o rigor da música erudita em minhas composições. Tive a oportunidade de conhecer de tudo. Felizmente, vejo muitas pessoas surgindo com uma formação apropriada de técnicas sólidas e maduras, o que as tornam capazes de se comportar em várias formações, da câmara ao choro."
O mais recente CD solo de Ferragutti, "Nem Sol nem Lua" esteve, na opinião de diversos críticos, entre os 10 melhores CDs de música instrumental do ano de 2006. Além de shows com seu trabalho autoral, Ferragutti atua em apresentações com a Orquestra de Maria Schneider (USA) e Celine Rudolf (Alemanha), além de grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia, Monica Salmaso, Gilberto Gil e Zizi Possi, entre outros.
Segundo Irina Ratcheva, pianista da Orquestra, como em outras apresentações, o objetivo da Mostra é trazer novidades ao público e um repertório diferente. "Acordeon juntamente com a orquestra é um casamento muito interessante, sobretudo, pelos timbres diferentes dos instrumentos que resultam numa melodia fantástica."
Ela conta, ainda, que a ideia é sempre renovar a proposta de música de Câmara, assim como já foi feito em outras oportunidades. "Trouxemos um gaitista e a experiência foi belíssima. Para o próximo ano, traremos uma harpista. Queremos mostrar que a música de Câmara pode ser tocada em inúmeros perfis musicais e de instrumentos", pontua.
Serviço:
Toninho Ferragutti e Orquestra de Câmara Solistas de Londrina
Quando Amanhã, às 20h30
Onde Teatro Crystal Palace (R. Quintino Bocaiuva, 15), em Londrina
Quanto R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Ponto de venda - Café Royal Londrino (ao lado do hotel Crystal Palace)


