Acima de qualquer suspeita
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de abril de 2009
Mariana Trigo<br> TV Press 
O alvo de ''Poder Paralelo'' é o público adulto. Avessa às histórias mirabolantes e ficcionais de mutantes ou a tramas que apenas retratam a violência urbana, a novela de Lauro César Muniz é traçada por relações de traição, romances, disputas e embalada pelo charmoso clima da máfia. Incomodado com a baixa qualidade dos textos atuais da teledramaturgia, o autor assume que pretende tentar resgatar o estilo mais sério de novela que se fazia nos anos 70, quando muitas das tramas enfrentavam o crivo da censura. ''Quero fazer uma trama que respeite a inteligência do público, não essa coisa pobre e simplista que se faz hoje. Precisamos voltar a fazer novelas humanas. Chega de mentir''.
A história que estreia nesta terça-feira tem como personagem central o enigmático Tony (Gabriel Braga Nunes). Ele é um comerciante brasileiro que vive na Itália. Como é suspeito de ter ligações com a máfia siciliana, é investigado pelo meticuloso delegado federal Téo, de Tuca Andrada. Ao perder sua família num atentado, Tony se envolve com a jornalista brasileira Lígia, vivida por Miriam Freeland, e decide voltar ao Brasil determinado a se vingar.
Outra intenção da história é colocar uma lente de aumento nos conflitos das relações humanas. A trama apresenta com sensibilidade relacionamentos familiares e traições, e destaca casamentos em crise, como o do casal Maura e Bruno, de Adriana Garambone e Marcelo Serrado. Após largar a carreira de atriz por insistência do marido, que enriqueceu com o casamento, a personagem é traída por anos, já que Bruno mantém como amante outra atriz, a famosa Lira, interpretada por Paloma Duarte. ''Tem sido um alívio artístico ter nas mãos um texto como esse e uma personagem tão bem construída. Estou lavando a égua com esse papel'', comemora Paloma.
Outro relacionamento delicado é o envolvimento de Nina, sofisticada relações-públicas vivida por Patrícia França, com um rapaz que tem a metade de sua idade. Na história, a personagem é seduzida pelo apaixonado Pedro, de Guilherme Boury, que tem apenas 18 anos. ''Sempre fiz mulheres fortes, destemidas. A Nina traz um diferencial para a minha carreira: ela é frágil, chega a ser reticente a esse amor'', observa Patrícia.
O cenário é a capital paulista, onde a italiana família Castellamare é encabeçada pelo patriarca Don Caló, de Gracindo Jr. Nostálgico pelos áureos tempos da máfia na época em que ainda morava na península itálica, o pai do protagonista Tony vive em conflito com o problemático filho Rudi, de Petrônio Gontijo, que é envolvido com drogas. Para reforçar a família conturbada, a caçula Gigi, de Karen Junqueira, interpreta uma deslumbrada e sedutora modelo em ascensão, com o mundo a seus pés. ''Ela acha o universo da máfia chique, o máximo. Me inspirei muito na Paris Hilton para essa personagem'', assume Karen.
Como a produção vai ao ar por volta das 22h30, o autor negociou com a emissora que não houvesse cortes em cenas de nudez e violência.
Poder Paralelo na Record, de segunda a sábado, às 22h30
Produto competitivo
A superprodução montada nas cidades italianas Palermo e Tonnara di Scopello para as gravações de ''Poder Paralelo'' impressionam. Ignácio Coqueiro parece ter sido inspirado pelo instigante clima renascentista ao dirigir meticulosamente tomadas com diversos efeitos especiais e cenas que chegaram a deslocar 20 câmeras para captar uma das mais impactantes imagens do início da trama: uma explosão de um carro gravada no centro de Palermo, que denota um aprimoramento técnico com os investimentos da Record na teledramaturgia. ''Foi duro demais gravar na Itália. Fizemos um produto que é competitivo em todo o mundo. Essa novela, de fato, traz um diferencial no acabamento'', valoriza Ignácio.
Durante o mês de gravações na região da Sicília, o diretor contou com mais de cem pessoas em sua equipe para registrar o início da trama. Para manter um núcleo na Itália, foi preciso encontrar uma locação no Sudeste do Brasil com as mesmas características geográficas da região da Sicília: a cidade de Serra Negra, no interior de São Paulo. ''Alguns ângulos dessa cidade mostram montanhas que lembram a região da Itália onde se passa a história'', compara Ignácio.


