Curitiba ''Não dá para atravessar o rio sem se molhar''. Assim como o provérbio, não dá para passar por uma separação conjugal sem sentir seus efeitos. A Folha2 conversou com duas mulheres que viveram essa situação. Uma delas, que preferiu não se identificar, está separada há apenas duas semanas. Revela que não sente raiva, mesmo depois de tomar a decisão depois que pegou o ex-marido com a melhor amiga. ''Acho que já tinha acabado faz tempo'', confessa. Agora, já no novo apartamento, começa a aprender a lidar com a nova realidade. ''Estou morando num apartamento alugado e voltei a trabalhar. Acho que muita coisa vai mudar'', diz.
Para a recém-formada em filosofia Alba Kosinski, 50 anos, a vida mudou muito depois que ela separou-se do homem com quem vivia há 20 anos. Na época, os filhos do casal tinham 4 e 12 anos. ''A relação estava difícil. Não havia mais confiança e o relacionamento estava insuportável'', lembra Alba. Mas lá se vai uma década desde que a separação foi efetivada e hoje ela consegue digerir melhor o que aconteceu. ''Vejo que se fosse por ele, a situação continuaria. A decisão teve que ser minha'', conta. Os filhos ficaram com ela e os três atravessaram diferentes fases até chegarem na harmonia e entendimento de que a decisão foi a melhor. ''Isso não impede o sentimento de culpa. Mas isso sempre vai existir quando se trata dos filhos, com os pais casados ou não'', diz.
Mas Alba, que depois da separação, voltou a estudar e passou no vestibular para o curso de Filosofia da Universidade Federal do Paraná, reforça: ''Posso ter sentido culpa, mas arrependimento, nunca''. Ela ainda não voltou a se relacionar com mais seriedade, foi uma opção, conforme revela, também por causa dos filhos, mas muito por questões pessoais. ''Sou uma pessoa sociável, mas gosto da minha liberdade e também de momentos de recolhimento, o que às vezes é impossível numa relação de casada''. (K.M.P.)

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