No encarte, uma escrita em braile onde se lê o nome da cantora Zélia Duncan e do disco ‘‘Acesso’’. O livrinho é recheado de portas entreabertas enquanto na face do CD estão as chaves que se encaixam nessas portas. A produção do novo disco de Zélia Duncan, o quarto da carreira, surge numa tentativa de buscar novos caminhos sonoros. ‘‘Quero aprimorar meu canto e meu som’’, enfatiza Zélia. Nesse caminho, o álbum dá destaque para a voz. Um timbre grave característico da cantora, que Zélia procurou explorar ao máximo sob a batuta do técnico de som Eric Sarafim, conceituado pelo seu trabalho nos discos ‘‘Fight For Your Mind’’ e ‘‘Will To Live’’, do jazzista Ben Harper. ‘‘Ele era o único capaz de deixar minha voz clara como eu queria’’, exagera a cantora.
Zélia Duncan sobre a sonoridade de ‘‘Acesso’’: ‘‘Quero aprimorar meu canto e meu som’’,A voz de Zélia realmente está limpa, sem nenhuma reverberação ou efeitos distorcidos. ‘‘Tenho um timbre raro de meio-soprano que precisa mostrar uma voz clara’’, gaba-se. Nem por isso a cantora deixa de brincar com a voz. Do grave característico de faixas como ‘‘Código de Acesso’’ e ‘‘Depois do Perigo’’, Zélia pula para um agudo em ‘‘Haja’’. ‘‘É onde mais me sinto feminina, mais Zélia’’, teoriza. A faixa, assim como outras sete, é assinada por Christiann Oyens, parceiro constante da cantora que agora cuidou também da produção do disco.
Ao todo são 11 faixas que apresentam pop, rock e folk. A mistura chega até mesmo a arriscar várias sonoridades na mesma música, como em ‘‘Sexo’’. A faixa é uma das que melhor representa os novos acessos sonoros de Zélia, confundindo uma batida techno com um violão estilo bossa nova no refrão e um som indiano na introdução. Esse estilo indiano também está em ‘‘Código de Acesso’’, que conta com a percussão do grupo Uakti, especialistas em misturar sons dos instrumentos de percussão construídos artesanalmente. As participações não se encerram aí.
Em ‘‘Quase Sem Querer’’, a única regravação do disco, quem está presente é Jaques Morelenbaum nos arranjos e no violoncelo. A faixa já vinha sendo executada por Zélia nos shows, mas nunca havia sido gravada. No registro sonoro, Zélia optou por um arranjo simples, numa levada de um violão folk e o acompanhamento do cello.
A simplicidade dos arranjos de ‘‘Quase Sem Querer’’ é um contraponto para faixas mais elaboradas como ‘‘Verbos Sujeitos’’. ‘‘Essa faixa tem tudo para ser uma segunda Catedral’’, elogia Zélia. A letra curta, recheada de verbos, não conta com a mesma facilidade do hit ‘‘Catedral’’, mas tem uma melodia que agrada. O destaque fica para a introdução distorcida do violão havaiano de Fernando Vidal. O músico se saiu tão bem que já foi convocado para o show da cantora, que está em turnê pelo Brasil.

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