Acervo sofreu com o abandono por 40 anos
Criada por lei estadual em 1953, a Casa João Turin saiu do papel somente em 1989, 40 anos após a morte do escultor. Nesse período, o acervo do artista se degradava em um depósito, alugado pelo sobrinho Jiomar José Turin desde a morte do tio.
''Ele (João Turin) não constituiu família própria, não deixou testamento. O que ele tinha foi dividido pela família inteira. O Jiomar ficou com o acervo só que não tinha condições de ficar. Então alugou um depósito sem estrutura e, por isso, perdeu-se muita coisa'', conta a diretora da Casa João Turin, Elisabete Turin. ''Faltou a consciência da preservação. Eram pessoas muito simples'', avalia Elisabete.
Filho de imigrantes italianos, João Zanin Turin frequentou a Escola de Belas-Artes e Indústrias do Paraná, em Curitiba, onde foi aluno-professor em 1896. Com uma bolsa de estudos concedida pelo governo do Estado, ingressou na Real Academia de Belas-Artes, em Bruxelas, e lá permaneceu até 1909, especializando-se em escultura. Deixou a capital belga em 1911 e fixou residência em Paris, onde ficou até 1922, ano em que retornou ao Brasil, aos 44 anos. A volta a Curitiba se deu em 1923. E no final da década de 40, pouco antes de sua morte, Turin foi um dos fundadores da Escola de Música e Belas-Artes do Paraná, onde ministrou aulas de Arte Decorativa.
A produção de João Turin divide-se entre obras feitas sob encomenda, destinadas a homenagens, e aquelas nas quais o artista imprimia seus sentimentos e sua ligação com a terra, representando a natureza, a flora, a fauna, os índios e os animais. (D.R.)





