Um dos maiores acervos relativos à música, cinema e teatro, e com uma discoteca vastíssima, espreme-se num estúdio de 100 metros quadrados no centro de Curitiba. Desde a morte de seu criador, o jornalista Aramis Millarch, ocorrida em 1992, muitas foram as promessas e anúncios oficiais de que o material permaneceria no Paraná. Mas a cada dia aumenta o risco de ele sair do Brasil.
Instituições como o Lincoln Center e o Centro Cultural Georges Pompidou têm seus olhos voltados para o acervo de 32 mil discos, 15 mil livros e mais de 5 mil fitas de áudio, sem contar as revistas e os roteiros que representam cinco anos do programa ‘‘Domingo sem Futebol’’, na Rádio Ouro Verde. No Japão um empresário especializado em música brasileira, está em contato com as grandes indústrias em busca de possíveis interessados.
Desinteresse Francisco Millarch, que dá curadoria ao acervo, está desistindo de mantê-lo no Brasil. ‘‘Acho que as pessoas não têm noção da importância que ele representa’’. Uma parte da história está registrada ali, sem contar que nesse lote brotam raridades como o livro de Vinícius de Moraes em homenagem a Pablo Neruda, quando este faleceu. Foram editados 300 exemplares, mas poucos, como este, têm dedicatória do autor.
Os discos, igualmente, estão repletos de exemplares que dificilmente serão encontrados. Com a particularidade de ostentarem nas capas dedicatórias dos intérpretes que vão de Tom Jobim a Elis Regina.
Millarch tem bem claro uma coisa: se vender o material a um colecionador, cobrará uma fortuna. Mas se o destino for uma instituição pública, cujo fim seja voltado à população, o preço será reduzido substancialmente. ‘‘Era isto que meu pai fazia quando escrevia a coluna dele’’, diz Francisco.
(Z.C.L.)

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