Acervo de David Carneiro continua encaixotado
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2000
De Curitiba 
Completados dez anos da morte do historiador David Carneiro, o acervo do museu organizado por ele durante toda a sua vida, está embalado em local não divulgado pela família do historiador por medo de assaltos. São mais de 4 mil peças, muitas raríssimas e uma pinacoteca de nomes famosos como Debret, De Bona, Andersen e Victor Meirelles, que estão se deteriorando.
Em 1996, a família do historiador organizou um leilão em São Paulo com peças sobre a história do Império e da República do Brasil. A comercalização das peças foi embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, no dia anterior à data marcada. Estas peças estão desde aquela época sob a guarda do próprio Iphan, em Curitiba, num local sem aclimatação. Trancá-las a sete chaves, foi o único destino que o Iphan viabilizou. Representantes de museus do mundo inteiro e particulares vieram ao Brasil interessados nesse acervo. Seriam pessoas que certamente dariam um destino mais digno às coleções, argumenta a economista e neta do historiador, Heloisa Carneiro.
O superintendente do Iphan em Curitiba, José La Pastina, passou a semana em Fortaleza participando de um encontro de diretores dos museus nacionais e dirigentes das regionais do Iphan. Expus pessoalmente o problema do Museu David Carneiro à diretora do Museu Histórico Nacional, Vera Tosten. Ainda nutro esperança de reconstituir este acervo e agora contaremos com a colaboração dela, festejou.
Nessa nova tentativa de dar destino às peças do Museu David Carneiro, La Pastina tenta organizar o acervo de tal forma que peças relativas ao Império e à República sigam para o Rio de Janeiro; as referentes à Revolução Federalista devem ir para a Lapa e as que dizem respeito à história de Curitiba, ficariam na cidade.
De qualquer forma, os herdeiros de David Carneiro estão novamente em contato com leiloeiros de São Paulo para agendar um novo leilão. Desta vez, segundo as normas estabelecidas pelo Iphan, que impõe que as peças de uma mesma coleção sejam comercializadas em conjunto. Esperamos dez anos. Não podemos mais correr riscos das peças se deteriorarem. É muita responsabilidade manter a História de um estado e mesmo de um País, trancafiada e enrolada em papel bolha, afirma Heloisa Carneiro.


