Giordani Rodrigues
De Curitiba
Especial para a Folha
Para os mais jovens - e provavelmente para grande parte da população de Curitiba - o Cine Morgenau é identificado a filmes pornográficos. Aqueles, no entanto, que se dispuserem a conhecer com mais profundidade sua história e a de seu atual proprietário, Jorge de Souza, de 70 anos, terão gratas surpresas.
A começar pelo fato de o Morgenau ser o mais antigo cinema paranaense em atividade e Souza ser um grande conhecedor da sétima arte, possuidor de um acervo particular de filmes que, garante, chega a cinco mil títulos, entre películas de 35 mm, 16 mm, super-8 e fitas de vídeo, além de milhares de cartazes originais desses filmes, cuidadosamente encadernados, e um incontável número de livros e edições completas de revistas sobre cinema.
Jorge de Souza também é presidente de honra e um dos fundadores do cine-clube Aníbal Requião, criado há 16 anos. É ele quem seleciona e fornece os filmes apresentados pela Biblioteca Pública do Paraná, toda sexta-feira, voltados em especial ao público infanto-juvenil.
Nestas sessões, são exibidos principalmente os seriados de ação e aventura que faziam a alegria da gurizada em décadas passadas, faroestes românticos em que mocinhos e bandidos podiam ser identificados apenas pela indumentária e cuja violência está longe do que hoje se mostra no horário nobre da televisão. Jorge acredita que, assim, poderá transmitir à geração do vídeo-game e do computador um pouco da velha magia do cinema que tanto o seduz.
Seu grande sonho é a criação de um museu em que todo o material que possui estivesse devidamente catalogado e disponibilizado ao público. De uma coisa, contudo, ele não abre mão: não aceita de forma alguma que seu acervo seja transferido para a responsabilidade de outros, ao menos enquanto estiver vivo. Quer estar próximo daquilo que considera a sua própria existência. ‘‘A Fundação Cultural, o MIS (Museu da Imagem e do Som), todo mundo se interessou pelo material. Mas a própria Fundação me mandou uma carta dizendo que não se responsabilizaria por danos ou extravios. Desse jeito é muito fácil. Ora, isso aqui é minha vida!’’, queixa-se.Fundação Cultural e Museu da Imagam e do Som querem filmes raros mas não se responsabilizam por danos ou extravios
Kraw PenasCinéfilo se divide entre culturais e pornôsKraw PenasO mais antigo do cinema do Paraná ainda em atividade, o Morgeau, tem como proprietário um apaixonado por cinema. Jorge de Souza diz que acervo é sua vida e ainda não sabe que destino dar às raridades

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