Uma história escrita nas ruas de café e que seguiu pelo campo, o pisado firme das raças nobres de gado, marcando com ferro, fogo e pioneirismo, a trajetória da pecuária brasileira. Episódios de uma saga que a Sociedade Rural do Paraná (SRP) pretende contar com a criação de um museu, que deve ser inaugurado em abril, durante a Exposição Agropecuária e Industrial 2008.
História que já rendeu livros, como ''O Tempo do Seo Celso'', de escritor londrinense, Domingos Pellegrini, sobre o pioneiro Celso Garcia Cid, personagem da lendária introdução, no Brasil, do zebuíno puro de origem indiana - considerado um divisor de águas para a pecuária brasileira e da América Latina.
''A Sociedade Rural foi criada para defender os interesses da agricultura, com a cafeicultura, em 1946. A partir daí evoluiu, ganhando corpo como Sociedade Rural do Paraná. Dessa evolução acabou se diversificando, contribuindo com o desenvolvimento científico. Hoje temos o maior balcão genético do Brasil'', ressalta o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff.
Pioneirismo que abriu fazendas no meio da mata e que plantou histórias na região, como a de Omar Mazzei Guimarães, um dos primeiros presidentes da entidade que, além de realizar a mudança da exposição agropecuária do antigo Jóquei Clube para o Parque de Exposições Ney Braga, ganhou notoriedade também por alimentar polêmicas.
Nas fotos da inauguração do parque, que devem fazer parte do acervo do novo museu, Mazzei aparece ao lado de dom Geraldo Fernandes, primeiro bispo de Londrina, e o presidente marechal Castelo Branco, que estremeceram no palanque sob o impacto do discurso do londrinense contra a política agrícola do governo.
A organização do futuro museu conta com a orientação da museóloga Maria Cristina Oliveira Bruno, que trabalhou na criação do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e que em Londrina orientou o projeto de revitalização do Museu Histórico Padre Carlos Weiss e da Casa da Memória Madre Leônia Milito.
Para contar essa história de pioneirismo, o projeto arquitetônico de Denise Canabrava trará de volta tijolos e outros materiais de casas antigas de fazendas demolidas.
Os passos em direção ao passado começam a ser dados com a colaboração da diretoria feminina da SRP, que tem entre os membros Elenice Dequech, contando ainda a colaboração de técnico em museologia Amauri Ramos da Silva, que acumula a experiência do processo de revitalização do Museu Histórico Padre Carlos Weiss.
A incursão pelas reminiscências da Rural terão início numa sala em homenagem ao sol, à terra e água.
Grande parte do acervo do museu será de documentos e fotos. Os visitantes também contarão com recurso multimídia para visitar o passado. ''O acervo do museu deverá ser mais documental. Algumas peças, que devem compor os cenários serão definidas com a ajuda da museóloga Maria Cristina Bruno'', acrescenta Elenice.
As instalações do museu ocuparão o espaço da antiga Churrascaria Chopim, no Parque de Exposições. A Rural ainda está orçando o valor do projeto.

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