Outros Quixotes andavam soltos pela obra de Jefferson Cesar (1932-1981), reunindos todos nele mesmo - um cavaleiro andante das artes plásticas paranaense, que enxergava dragões, santos e guerreiros, materializados em suas esculturas e telas.
Lírica, ingênua e com um humor imbatível, a natureza quixotesca de Cesar o levou a vagar pelos campos da arte sacra, bem como os da pop art com a convicção não de quem vê moinhos de vento, mas uma obra que o colocou entre os maiores artistas plásticos do Paraná.
''Nós temos heróis demais, precisamos de outros Dom Quixotes'', afirmou certa vez, o pintor e escultor, discípulo de Estanislau Trape (1998-1958), um devotado ao desenho, que ajudou a fundar a Escola de Música e Belas Artes do Paraná.
Vinte e cinco quadros e 14 esculturas do acervo da viúva, Lydia Cesar, que mora em Curitiba, foram doados ao Museu Histórico de Siqueira Campos, cidade natal do artista.
Cesar estagiou no ateliê do escultor, gravurista e chargista austríaco, naturalizado brasileiro, Francisco Stockingen, aprendendo modelagem em cera, fundição em bronze, solda e escultura em mármore.
Algumas obras do acervo do museu e que representam esse período da carreira do artista estão expostas na Prefeitura Municipal de Siqueira Campos.
''Recebemos a primeira parte desse acervo em 2003 e, no último mês de março, chegaram mais algumas obras'', afirmou a coordenadora do museu, Maria da Graça Montanha Cesar, prima do artista.
Entre os trabalhos expostos está ''Elmo Moderno'', que representou o Brasil na V Exposição Internacional da Pequena Escultura, em Budapeste, Hungria, em 1981, poucos meses depois do artista morrer.
Feita em sucata e madeira, a obra dá uma extensão do lirismo de Cesar que era capaz de transformar peças, como fechaduras, dobradiças, pregos, porcas e parafusos em seres quase que mitológicos.
Deste acervo fazem parte as esculturas ''O Dedo Duro'', ''Dom Quixote'' e quadros, como ''Mãe'' e ''Arlequins''. Obras em que o artista revolucionou o domínio da própria arte, abandonando o mundo não menos fantástico de um homem que ultrapassou as fronteiras do pequeno município a 90 quilômetros ao Sul de Jacarezinho para conquistar um espaço no acervo permanente de museus como o Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba.
Antecipando os caminhos das artes visuais, soube desenhar os primeiros traços da pop art paranaense. ''A viúva do artista, Lydia Cesar, conta que, às vezes, ela procurava uma camisola no guarda-roupa e, não encontrando, perguntava ao marido, que dizia que tinha utilizado a renda em suas obras. A mesma coisa, ele fazia com toalhas de mesa e outros tecidos que encontrava'', comenta Maria da Graça.
No museu siqueirense também estão estudos do artista, uma tela inacabada de 1978, a cabeça da mulher de Cesar, esculpida em gesso, o auto-retrato em pastel, e alguns trabalhos que representam a arte sacra do pintor e escultor paranaense, que percorreu o caminho dos sonhadores, trazendo para a realidade o seu mundo de cavaleiro andante.

SERVIÇO:
- Obras de Jefferson Cesar no Museu Histórico de Siqueira Campos
Quando - De segunda a sexta-feiras, das 8h às 11h, e das 13h às 17h
Onde - Rua Pernambuco, 1253, em Siqueira Campos
Mais informações - (43) 3571-3176

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