ACERVO - Escultura de 200 anos ganha restauração
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sábado, 04 de agosto de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Com um manto de lendas e curiosidades sobre os ombros, que leva alguns a acreditarem que a obra é do escultor mineiro Aleijadinho ou de algum de seus discípulos, a imagem de Bom Jesus da Cana Verde está de volta ao santuário, em Siqueira Campos (90 quilômetros ao sul de Jacarezinho), depois de ser totalmente restaurada em São Paulo.
A escultura de 1,20 de altura atrai, anualmente, no dia 6 de agosto, cerca de 100 mil devotos ao Santuário de Bom Jesus da Cana Verde. Fiéis que na 76edição da festa ao padroeiro da cidade comemoram também a recuperação da obra, que depois de cinco meses, voltou a ornamentar o presbitério da igreja.
Jesus desfigurado diante de Pilatos, esculpido em cedro vermelho transfigura-se na devoção popular cercada de muitas histórias. Ninguém sabe a origem certa da imagem que tem mais 200 anos. Alguns pesquisadores acreditam que tenha chegado ao Paraná entre 1870 e 1880, vinda de Minas Gerais, passando por São Paulo.
Uma das histórias que se conta é que a imagem seria obra de um escravo que ao desobedecer o seu ''sinhô'', fugiu para o mato. Com medo de ser castigado e em troca do perdão, ele esculpiu, em madeira, o Bom Jesus.
Também existe uma outra versão contada pelos que acreditam que a obra de arte sacra seja de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, ou de algum de seus discípulos - devido as características da escultura.
Causos que já renderam um filme produzido por artistas amadores de Siqueira Campos, em 1967. Os anos não apagaram da memória dos fiéis todos essas histórias sobre Bom Jesus, imagem que foi entregue ao município pelo bispo de Jacarezinho (cidade-pólo/Norte Pioneiro), dom Fernando Tadei, em 1934.
Porém, a ação do tempo deixou as suas marcas na escultura, que nunca tinha passado por uma restauração. ''Alguns dos problemas foram causados pelos refletores que iluminavam a imagem, provocando o craquelamento da madeira, principalmente nas costas e nos pés da imagem'', lembrou a coordenadora do Museu Histórico de Siqueira Campos, Maria da Graça Montanha Cesar, que acompanhou o processo de restauração e que está tentando levantar os registros e a história da imagem de Bom Jesus para o acervo do museu.
A obra foi entregue pelo Santuário Bom Jesus da Cana Verde ao restaurador Júlio Moraes, de São Paulo, que num trabalho rigoroso, recuperou as características originais da peça, que foram devastadas pelo tempo.
''Não podemos dizer que a imagem tinha problemas sérios, mas o vento e a poeira foram deteriorando a madeira. Com a restauração, o Bom Jesus ficou muito bonito. Foi um trabalho minuncioso do restaurador Júlio e a sua esposa, Paula. Eles removeram todos os fungos e a sujeira que cobriam a peça, devolvendo as características originais da obra'', comemorou o frei capuchinho, Marcus Augusto Garcia Miranda, do Santuário Bom Jesus da Cana Verde.
Para homenagear a imagem, a qual os fiéis atribuem milagres, uma grande festa, com um tradicional churrasco e missas a cada hora será realizada segunda-feira, no santuário.


