A jornalista Amanda Abranches é uma das garotas que participam do documentário lembrando sua transição capilar e contando sobre sua relação com o cabelo. Ela teve seu primeiro contato com química quando tinha apenas cinco anos de idade, quando a mãe decidiu "tirar" o volume e, assim, ficar bonito para a festa de aniversário. Nos anos que seguiram, vários produtos químicos a acompanharam, de forma que, mais recentemente, realizava procedimento para alisar os fios a cada três meses. "Eu era prisioneira desses produtos, sem falar no quão cansativo era ficar por quase sete horas no salão. Veio a vontade de mudar de visual e me ver livre de tudo aquilo."
A questão estética, porém, foi além e a motivação passou a ser uma questão de identidade quando foi indagada pelo namorado se havia pensado que seu cabelo não era real. "Depois de todos esses anos, eu nem sabia como era meu cabelo de verdade, qual sua textura e formato. Constatar isso me incomodou muito, mas foi o que me deu ainda mais forças. Comecei o processo cortando, primeiramente, na altura dos ombros e, em seguida, bem curtinho, retirando todo aquele cabelo liso", lembra, admitindo que deixar para trás toda uma história e assumir uma nova identidade não foi tarefa fácil - incluindo resistência da própria família. "Começava, então, o processo de aceitação."
A cada centímetro do cabelo que crescia, uma nova descoberta. "Minha ideia de beleza sempre foi o cabelo liso. Ao mesmo tempo em que aprendia a cuidar do novo cabelo, aprendia o quão belo ele também é." Essa consciência, contudo, para Amanda, não é compartilhada por todas as pessoas com o mesmo tipo de cabelo. "Apesar da exaltação da beleza negra e dos cabelos crespos serem muito boas, me preocupo até que ponto isso é somente uma tendência, uma moda que daqui uns anos não terá tanta força. Espero que esse movimento seja, realmente, resultado de autoestima e sentimento de beleza. Hoje, sou muito mais segura e percebo o quanto isso estava preso em mim por causa de uma cultura consolidada", reflete.
(M.T.)

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