AÇÃO SOCIAL - Solidariedade como APRENDIZADO de vida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O exercício de educar o olhar para observar situações difíceis que acontecem na vida do outro e se mobilizar para melhorar realidades tristes vem sendo gradativamente incluído nos currículos escolares. Em um tempo em que a sociedade moderna parece se voltar cada vez mais para o consumismo e uma postura egocêntrica, iniciativas educacionais com esse propósito se tornam fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Sejam elas pontuais ou permanentes, ações que promovem esse tipo de conscientização marcam a infância e a juventude e há grande chance de serem continuadas na vida adulta.
Uma das instituições de Londrina que mantém essa tradição educacional é o Colégio Marista, que enfoca integralmente o trabalho de solidariedade em dois eixos. O primeiro é voltado à educação básica, em que o objetivo é formar um aluno pesquisador, comunicador e solidário. O segundo eixo é dentro da Pastoral, definido dentro do ''Programa Marista de Cultura da Solidariedade'', que segue o carisma do fundador da Congregação Marista, o religioso Marcelino Champagnat. ''Estão entre os nossos objetivos sensibilizar o aluno para uma cultura de solidariedade, formar para o voluntariado e promover ações integradas com as realidades locais. E acredito que o colégio respira esse ar de solidariedade'', afirmou a assessora da Pastoral do Marista, Rita de Cássia Vezozzo Braile.
Ela também ressaltou que a intenção é ''sair de uma cultura assistencialista para uma cultura de solidariedade'', promovendo uma formação que permeie a vida do aluno. ''Não queremos que o nosso aluno sinta 'menos culpa' porque pode doar um quilo de alimento e sempre fazemos um trabalho de conscientização antes, durante e após as ações que realizamos'', acrescentou.
A ação mais pontual que envolve todos os alunos é a Gincana Champagnat, que é realizada durante três dias no final do primeiro semestre e neste ano comemora sua 25 edição. Com provas educativas, culturais e esportivas, o evento também tem uma forte vertente solidária. As equipes são estimuladas a arrecadar alimentos, roupas e brinquedos. Há uma quantidade mínina e máxima estipulada por equipe e a cada ano um novo recorde de arrecadação é atingido. No ano passado, o total arrecadado foi de 30 mil toneladas de alimentos que beneficiaram 51 entidades, além das 14 que receberam roupas, calçados, cobertores e brinquedos. Ao todo, uma estimativa de 3.500 pessoas beneficiadas. As entidades são todas cadastradas no colégio e passam por uma avaliação da assistente social mantida pela istituição.
Para marcar a entrega dos alimentos, foi feita uma celebração no ginásio do colégio onde os alimentos foram agrupados de forma que cada representante da entidade beneficiada pudesse ficar ao lado do montante que iria receber de acordo com a quantidade de pessoas que atendem. ''Foi uma forma de tornar ainda mais concreta a visualização da importância desse gesto solidário e do quanto podemos ajudar. Dessa forma, os alunos também puderam ter contato e trocar idéias com os representantes das entidades beneficiadas'', explicou Rita.
Outra ação solidária é a ''Páscoa Missão Juvenil Marista'', que envolve diretamente alunos do Ensino Médio, embora os outros alunos, desde a Educação Infantil, participem ajudando a arrecadar alimentos para a montagem de cestas básicas. Essa iniciativa é realizada há 18 anos.
Dentro desse projeto, com a ajuda da diocese, é definido um local para ser realizada uma ação evangelizadora. Durante a Semana Santa, alunos, pais e professoras voluntários se instalam normalmente em salões paroquiais enquanto desenvolvem o trabalho de evangelização que inclui visitas às famílias carentes, atividades recreativas com crianças, melhorias estruturais no local, como pequenas reformas, e distribuição de cestas básicas. Neste ano, o distrito de Guaravera foi o escolhido para o projeto, em que participaram voluntariamente 40 integrantes.
No ano passado, o distrito de Selva foi o beneficiado e ainda hoje os alunos mantêm ligação com a comunidade. Eles praticamente adotaram uma família que quando conheceram o pai estava desempregado no momento em que os dois filhos gêmeos nasceram. Demonstrando bastante sensibilidade, os alunos detectaram que o filho mais velho necessitava do auxílio de uma fonoaudióloga e era necessário um chuveiro elétrico, entre outras necessidades básicas. Eles conseguiram mobilizar o colégio e com a ajuda da assistente social estão conseguindo colaborar pela reestruturação dessa família ainda hoje.
A aluna Juliana Quintanilha Martins, 15 anos, do segundo ano do Ensino Médio, participou neste ano pela primeira vez do projeto da Páscoa e ficou tocada pela experiência. ''Fazíamos as visitas em dupla e percebi que além da ajuda material, as pessoas estão carentes de atenção e nos recebem com muito carinho. Foi uma experiência marcante e muda o nosso modo de pensar. É diferente de 'ouvir falar' e ver'', destacou.
Já a aluna Mariah Torres Lingiandi, 14, que está na oitava série do Ensino Fundamental, desde a 6 série participa da arrecadação de alimentos e roupas para a gincana. ''Acho legal que a escola nos prepare para ajudar o outro. Precisamos aprender a partilhar o nosso tempo, amor e carinho. A minha mãe ajuda a Toca de Assis, que atende moradores de rua, e pretendo exercer a solidariedade também na minha vida adulta'', garantiu.
O aluno João Paulo Falcão de Queiroz, de 14 anos, também participa das arrecadações. ''Achei difícil arrecadar no ano passado, e acabei conseguindo mais roupas com os meus familiares. A experiência é interessante e aqui a gente tem muito apoio do colégio para esse tipo de atividade e todo mundo espera pela gincana. A minha mãe também ajuda várias entidades e acho importante que eu não quebre essa corrente do bem'', concluiu.


