AÇÃO PEDAGÓGICA - Infância é tempo de brincar
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Ana Paula Nascimento <br>Reportagem Local 
Atualmente não anda muito fácil ser criança. Brincar livremente na rua virou uma ameaça constante, tempo disponível apenas para brincar é algo raro e cada vez se torna mais comum crianças com agendas cheias de compromissos: além das atividades da escola, natação, balé, judô, aula de música, entre outros. Ser apenas criança, ter a imaginação livre para criar e os pés descalços para descobrir o mundo e fazer estripulias típicas da infância transformou-se em algo do passado.
E foi com o objetivo de resgatar as brincadeiras de infância que a professora Elenir Marcia Santos de Sá Rodrigues, da Escola Municipal Hikoma Udihara, decidiu colocar em prática o projeto ''Brincadeiras de Pedrinho no Século 21'' com os seus alunos do segundo ano do fundamental (antiga primeira série). ''Foi uma forma de chamar a atenção deles para brincadeiras que vão além do videogame e dos jogos de computador, que são as que predominam atualmente'', avalia.
Aproveitando um estudo sobre a obra de Monteiro Lobato, as crianças inicialmente pesquisaram sobre os personagens do Sítio do Picapau Amarelo e fizeram releituras deles com desenhos e colagens. Para explorar a temática de ecologia, a professora também se utilizou do cenário do sítio para trabalhar os cuidados com o meio ambiente e a reciclagem, sendo que os alunos confeccionaram brinquedos e móveis feitos com garrafas PET - como uma poltrona e uma mesa de centro.
Mas foi na parte das brincadeiras que as crianças mais se divertiram. Ao conhecerem as brincadeiras preferidas do Pedrinho, viram que caçar com estilingue era o que ele mais gostava de fazer. Como caçar é proibido no Brasil, o assunto também foi trabalhado em aula, mas estimulando os alunos a pensar que outras brincadeiras da época do Pedrinho poderiam ser praticadas hoje em dia. Uma pesquisa com os pais dos alunos também foi solicitada para que os alunos tomassem conhecimento sobre outras atividades recreativas.
E era só ver os sorrisos e a alegria nos olhos dos pequenos para saber o quanto a iniciativa deu certo. No pátio da escola, grupos de crianças eram pura diversão ao brincarem de Escravos de Jó, cantando em coro a música típica da brincadeira enquanto ela era reproduzida em CD. Nas amarelinhas da escola, filas organizadas para a brincadeira que exige agilidade e equilíbrio. Em outro espaço, crianças brincando de dominó gigante e pulando corda com a maior destreza e rapidez.
Uma das brincadeiras mais concorridas era a da bolha de sabão gigante. Dentro de um pneu de caminhão cortado ao meio cheio de água e detergente, cada criança vibrava com o ''tubo'' multicolorido que se formava com a passagem do aro fixado em um cabo de vassoura.
''São brincadeiras simples, mas que eles adoram. É preciso que os professores e os pais tenham disposição para apresentar essas atividades a eles, que precisam apenas do incentivo. Eles se divertem muito e às vezes nem querem comer para não parar de brincar'', conta a professora. ''Outro aspecto interessante é a questão da socialização e interatividade, pois as brincadeiras têm regras, eles precisam respeitar a ordem das filas e os conflitos diminuem'', acrescenta.
Uma brincadeira muito citada na pesquisa com os pais e que agora os filhos estão praticando é a de Gato e Rato. Com os alunos em roda, um aluno na parte de dentro da roda faz o papel do rato e outro, de fora, faz o gato antes de iniciar uma divertida perseguição em que os alunos de mãos dadas decidem quem poderá entrar ou sair da roda.
Com o projeto, além do tempo normal de recreio (que inclui a hora da merenda), as crianças estão tendo de 20 a 30 minutos da aula regular dedicados ao resgate de brincadeiras, que podem ser aproveitados em sala ou no pátio, para a alegria da criançada. A professora ainda está preparando uma seleção de cantigas de roda para serem trabalhadas com as crianças até o final do ano. ''Acho que o contato das crianças com as cantigas de roda está se perdendo ainda mais que as brincadeiras antigas. Isso é uma pena e torna ainda mais importante o nosso trabalho de resgate'', defende.


