É outro que chega com tudo neste fim de ano, tentando justificar o alto custo de produção. E também o salário estratosférico de sua estrela solitária, o agora cinquentão Sylvester Stallone. O lançamento nacional não deixa por menos e ocupa boa parte do circuito.
Depois de andar decorando e dizendo frases tolas - escritas por terceiros - em filmes igualmente bobos como ‘‘O Especialista’’ e ‘‘O Juiz’’, Stallone está de volta ao território que divide com outros poucos peritos em ação. Embora muito à vontade no papel, o ator há algumas semanas surpreendeu anunciando que ‘‘Daylight’’ foi seu último esforço no gênero que o consagrou. ‘‘Penso que fui o mais longe que podia neste tipo de filme’’, disse ele ao semanário ‘‘Variety’’ após longa reflexão. Considerando a extensão do desastre ocorrido nas últimas duas vezes em que o popular Sly mudou de gênero e abraçou momentaneamente a comédia, é o caso da Universal (com quem Stallone assinou contrato de 60 milhões de dólares para três filmes) ter uma conversa reservada com o ator.
Mais reciclagem Em Hollywood nada se cria, tudo se copia. Quando não de terceiros (franceses, os preferidos, seguidos de japoneses e italianos - até ‘‘Dona Flor’’ já deu frutos por lá...) , até deles mesmos. Sob formas, técnicas e justificativas as mais variadas, as refilmagens são hoje quase uma regra. No caso de ‘‘Daylight’’, a matéria de memória é um sub-gênero que floresceu nos anos 70, naquele momento dando inclusive novo alento à indústria meio anestesiada: o cinema-catástrofe, com seus terremotos, naufrágios, incêndios, furacões, erupções vulcânicas e até meteoros gigantes. Aqui, a inspiração mais próxima e conhecida é ‘‘O Destino do Poseidon’’(l972), de Ronald Neame, onde um grupo de sobreviventes liderado por Gene Hackman tenta escapar de um transatlântico que naufragou.
Em ‘‘Daylight’’, Stallone é o Hackman de plantão. Uma explosão acidental mantém preso num túnel sob o rio Hudson, em Nova York, um grupo de motoristas. As ameaças à sobrevivência estão por toda parte. Alguém precisa tomar providências, caso contrário...
O drama se desenvolve à maneira tradicional: personalidades diversas tentam conviver durante um lapso de tempo visando o objetivo comum. Os conflitos são inevitáveis e temperam a ação. Tudo mais ou menos parecido com o modelo ‘‘Poseidon’’, inclusive a fragilidade no desenho psicológico dos personagens principais. Mas algum diferenciador teria que deixar o filme do diretor Rob Cohen mais up to date, e assim recorreu-se à Industrial Light and Magic, decididamente a única e grande coadjuvante de Stallone no filme.
O problema maior de Stallone - já resolvido por Schwarzenegger - é se levar muito a sério nos filmes com aparencia séria. Rico e sossegado, é hora de parar de imitar Rocky e Rambo e desenvolver papéis com uma bem-humorada dose de auto-crítica.

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