Ação entre amigos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Antônio Mariano Júnior<br>De Londrina 
Assim consta o agradecimento no encarte do disco: ''Agradeço do fundo do meu coração a todas as pessoas que me ajudaram a retomar minha carreira''. Talvez essas palavras justifiquem o fato de Leci Brandão ter pinçado participações que fez em álbuns de outros artistas para montar o seu mais novo (!) disco, lançado pela Trama. Estranho esse tipo de expediente, ainda mais que as participações especiais incluem artistas e grupos com forte apelo popular e, consequentemente, comercial lá estão Art Popular, Péricles do Exaltasamba, Sem Compromisso, Os Morenos.
Um ponto a ser considerado: entre composições comerciais, sobressaem as criações de sambistas de primeira linhagem do samba como Arlindo Cruz, Sombrinha, Zeca Pagodinho, Monarco, Adoniram Barbosa, só para citar alguns. Agora, em muitas faixas Leci Brandão, respeitável e respeitada senhora das rodas de bamba, acaba ficando em segundo plano. Fica evidente, aqui e ali, que o público se rende em aplausos sim, a grande maioria das faixas foi resgistrada ao vivo às outras atrações que dividem o palco com ela. Melhor exemplo é grupo Sem Compromisso em ''Felicidade Escondida'' (Chiquinho dos Santos), um pagodinho romântico.
Quando consegue se impor, Leci Brandão faz maravilhas. É o caso de ''Tudo Menos Amor'' (Monarco/Walter Rosa) que canta com Péricles. Outro bom momento, um resgate de fôlego, é a já clássica ''O Show Tem que Continuar'' (Sombrinha- Arlindo Cruz - Luiz Carlos da Silva). Gravada em 1998, a canção conta com o auxílio luxuoso da grande Jovelina Pérola Negra e do não menos imenso Almir Guineto.
A única canção inédita que aliás abre o disco é ''O Samba é Nossa Cara'' (Luizinho SP) em que Leci divide com o Jair Rodrigues. Outro momento interessante é ''Apaga o Fogo Mané'' (Adoniram Barbosa) que traz a participação dos Demônios da Garoa dá, enfim, para ouvir a voz pequena mas bem colocada de Leci Brandão.
''Convidados'' tem tudo para ter relativo sucesso junto ao público é gravado ao vivo, traz sucessos que o povão canta e conta com a forcinha de pagodeiros de boutique. Trata-se de um disco concebido para impulsionar a carreira de Leci Brandão, uma intérprete sempre à beira do ostracismo fonográfico pelo que se sabe, ela nunca teve uma gravadora disposta a investir de verdade em seu trabalho. Leci merecia muito mais que uma ação entre amigos; deveria, sim, ter um disco com canções inéditas, mesmo que fosse preciso apelar para uns pagodinhos da hora para se reposicionar no voraz mercado fonográfico.


