Segunda maior bilheteria do ano nos Estados Unidos, só perdendo para o imbatível ''Shrek'', a comédia ''A Hora do Rush 2'' (veja a programação de cinema na página 5) chega hoje ao circuito brasileiro não apenas como passatempo absolutamente descompromissado mas como involuntário sintoma emergente de uma das vertentes temáticas - ao lado de outras, já suspeitadas - que Hollywood deve incrementar a partir do olho do furacão terrorista que estremeceu o american way of life.
A fórmula - e este é um didático filme de fórmula - sempre sobrevive a novos testes e demonstra sólida funcionalidade. Séries como ''48 Horas'' patentearam a química entre dois policiais de diferentes etnias, a partir do enunciado que reúne, de um lado, seriedade e responsabilidade, e de outro atitudes tresloucadas. Após um período de desprezo mútuo e indiferença, no decorrer da ação ambos passam a se respeitar e terminam grandes amigos. Aqui, um elemento que reforça a empatia pela dupla é que não existe na trama o habitual policial branco: um é asiático, o outro afroamericano.
Esta série, iniciada em 98 (já se anuncia um ''Rush Hour 3''), se não trouxe nada de novo também não deixa de ter razoável eficácia como entretenimento leve, movimentado e até bem-humorado. Para o registro: o policial Carter (Chris Tucker, estridente como de hábito), agente de polícia de Los Angeles, vai de férias descansar em Hong Kong, onde trabalha o colega e amigo Lee (Jackie Chan, em Hollywood sempre mais rígido do que nos antigos delírios de ação made in China, onde e quando era o festivo sucessor de Bruce Lee). Mas o sonhado ócio de Carter vai emperrar no estrito senso de dever de Chan, e logo os dois estão envolvidos em missão complicadíssima: um atentado na embaixada americana matou dois agentes que investigavam um quadrilha de falsários e contrabandistas. Entre os vilões, a bela e letal Hu Li (Zhan Ziyi, de ''O Tigre e o Dragão'').
A alvoroçada dupla encara a tarefa com as armas de sempre: combates abundantes a partir de coreografias engenhosas que misturam platicidade e comédia pastelão, além de diálogos não inteiramente desprovidos de inteligencia. Quem ficar para os títulos finais - com a cooperacão do operador, claro - leva um bônus de sandices off que ameaça ser mais divertido do que a hora e meia anterior.

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