Quem tem 30 anos ou mais deve se lembrar com certo saudosismo de um furgão GMC preto turbinado e de figuras como B.A., Hannibal, Cara-de-Pau e Murdock, que formam o incorrigível quarteto da telessérie de aventuras ''Esquadrão Classe A''. Pois é, antigos fãs podem se unir a quem não conhece a série para se divertir vendo a adaptação moderninha para o cinema. O ''remake'', que entra hoje no circuito brasileiro, acerta com boa dose de ação e comédia, nas mãos do talentoso diretor Joe Carnahan.
Além de uma das mais famosas músicas-tema de seriados oitentistas, ''Esquadrão Classe A'' teve cinco temporadas e pelos menos três fizeram muito sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. O programa, bastante exibido por aqui, mostrava as missões impossíveis de um grupo de mercenários composto por ex-combatentes da Guerra do Vietnã. O grande charme, além de bom-humor, eram as características bem definidas de cada personagem.
O elenco da adaptação para as telonas já vai bem justamente por causa disso. Além de respeitar o conceito original de cada um, os atores agregaram visual e atitudes atuais, bem repaginadas. O líder Hannibal de Liam Neeson é ainda mais canastrão e imprevisível, com suas tiradas de sempre, a exemplo da tradicional ''adoro quando um plano dá certo''.
Bradley Cooper segue a tradição de mulherengo e cafajeste do Cara-de-Pau original e o B.A. de Quinton Jackson, vejam só, ganha até profundidade, esbarra em um código de honra pessoal. O melhor de todos é o piloto maluco Murdock, que na encarnação de Sharlto Copley (o adorável protagonista abobalhado de ''Distrito 9'') está simplesmente hilário.
O roteiro segue a premissa da série original: ex-combatentes se encontram de maneira improvável e mantêm inexplicada aliança para provar que não cometeram o crime pelo qual estão sendo acusados. Aliado a uma pequena reviravolta, é o suficiente para uma enxurrada de cenas de ação, explosões, sequências absurdas e tiradas espirituosas.
Tudo isso poderia se perder em pastelão desconexo não fosse a boa mão do diretor John Carnahan. O cineasta também escreve e é produtor, tem um olhar diferenciado e já provou isso em ''Narc'' e ''Smokin' Aces''. Suas sequências - como o absurdo combate aéreo entre um tanque de guerra e aviões - são muito bem editadas, em sintonia frenética com os efeitos sonoros e a trilha. O que torna tudo tão fantástico e engraçado ao mesmo tempo.
O resultado é um filme que não se leva a sério mais do que precisa e pede o mesmo para quem vai ver. Tudo com uma história que pode render uma provável continuação. ''Adoro quando um plano dá certo'', diz Hannibal. É, neste caso, o remake deu certo mesmo.

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