A quadra da escola parece - à primeira vista - igual a qualquer outra, mas de repente ela se transforma em um picadeiro. Cortina colorida na trave de futebol e alguns objetos cênicos sinalizam que algo diferente está no ar. É mais uma edição do projeto ''Hoje tem alegria na escola'', que na semana passada, em Ibiporã, levou um pouco da arte circense a aproximadamente 400 crianças das escolas municipais Aldivina Moreira de Paula e Almerinda Felizetti do Nascimento.
Contemplado pelo Prêmio Funarte/Petrobras Carequinha de Estímulo ao Circo 2011, o projeto estima atingir 4.800 alunos do ensino fundamental em apresentações em 16 escolas de Londrina, Ibiporã e Assaí. Elaborada pela primeira vez em 2003, a iniciativa originalmente contou com patrocínio do Programa Municipal de Cultura (Promic), sendo realizadas três edições nesse formato. A versão atual tem apoio do governo federal, o que tornou possível expandir o número de apresentações, inclusive para fora de Londrina. O trabalho atual também ganhou uma participação especial. É o palhaço paraguaio Xupetim (Oscar Espinola), de 54 anos, considerado um dos palhaços mais importantes do Brasil, que mora em Londrina há dez anos.
Na companhia do palhaço Coisa Fina (interpretado por Fernando Goes), Xupetim comanda uma série de estripulias que arrancam gargalhadas de alunos e professoras. Monociclo, perna-de-pau, malabares com bolas, aros e clavas, equilíbrio de pratos e caixas, acrobacias, além de muitas brincadeiras com o público transformaram o ambiente escolar. O sorriso estampado no rosto das pessoas foi inevitável e a algazarra, tão grande que crianças da vizinhança chegaram a subir no muro e nas árvores ao redor da escola e acabam sendo convidadas para integrar a plateia.
Na segunda parte do espetáculo aconteceram algumas das clássicas esquetes de palhaço, algumas utilizando a técnica das famosas claques, que são as bofetadas simuladas nas cenas cômicas. No final, os alunos foram convidados a participar de uma entrevista com o palhaço Xupetim.
Num momento privilegiado de interação, os alunos tiveram a oportunidade de ver um palhaço se despir do personagem, disposto a mostrar o quanto é humano também. Questionado sobre a técnica de bater sem machucar, ele falou das brincadeiras que fazem parte da encenação. Sobre a profissão de palhaço, relatou que ela não é nada fácil e exige muito estudo e pesquisa.
O projeto inclui ainda um trabalho educativo, anterior às apresentações, com os professores das escolas participantes. A partir de um caderno cultural-educativo, a pedagoga Daniela Fioruci orienta sobre uma série de atividades criativas que podem ser realizadas na escola aproveitando o tema da cultura circense.
''A nossa ideia é aliviar um pouco da tensão que ronda o ambiente escolar, enfatizar o lúdico e a cultura circense. O circo já não está mais tão presente na realidade das crianças e é importante que elas tenham acesso a essa arte milenar. O 'palhaço' é um arquétipo que faz parte do inconsciente coletivo'', afirmou Fernando Goes.
A diretora Jaqueline Berbel Cadamuro aprovou a iniciativa e ressaltou que a escola não deve ser voltada apenas ao desenvolvimento cognitivo do aluno. ''Precisamos focar o desenvolvimento do ser humano como um todo, valorizando também a capacidade de imaginação e a criatividade'', destacou. ''É incrível como eles conseguem prender a atenção das crianças. Precisávamos aprender algumas dessas técnicas para aplicarmos em sala de aula também...'', brincou.
''O circo traz um mensagem saudável e valeu muito a pena termos esse trabalho aqui'', avaliou.

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