Acampamentos seduzem jovens nas férias
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
Silvia Campos<br> Agência Estado 
São Paulo - Para eles, os meses de janeiro e julho seguem uma rotina: fazer as malas e ir para um acampamento de férias. Adolescentes como Leandro Collazo, de 15 anos, Helena Salla, de 16, Bruna Farah, de 19, e Guilherme Spinardi, de 17, até já perderam a conta de quantas temporadas passaram acampando. ''Fui mais de 20 vezes'', garante Guilherme, que frequenta as temporadas de férias do Paiol Grande, em São Bento do Sapucaí, há dez anos. Helena e Bruna também são acampantes há uma década e Leandro acredita já ter ido umas 16 vezes para o Timbalaia, em Mairiporã, a 35 quilômetros de São Paulo.
Os jovens recordistas de temporadas mostram que acampamento não é só brincadeira de criança. Ou, se for, pelo menos é uma diversão que não pretendem largar tão cedo. Bruna, que acampou dos 7 aos 17 anos - a idade máxima permitida na maioria dos estabelecimentos -, virou monitora para não ter de abandonar o programa de férias depois dos 18 anos. ''Mesmo quando você fica mais velha, acaba brincando com crianças de 7 anos e fazendo coisas que não faria no dia-a-dia'', diz Bruna. ''Minhas irmãs iam para o acampamento quando eu era mais nova e, por isso, passei a frequentar. Depois, continuei a vir por causa das amizades.''
Outra ''viciada'', Thais Gagliano, de 14 anos, também pretende virar monitora. Ela já passou 13 temporadas no Pumas, em Campos do Jordão (SP), onde fica 25 dias das férias longe de casa. ''Gosto dos jogos, de andar a cavalo e de subir o morro para ver o sol nascer'', afirma. ''Minha mãe, que também acampou quando era criança, me convenceu a ir pela primeira vez. Depois, não parei mais.''
Enquanto grande parte dos adolescentes é empurrada a trocar as brincadeiras por atividades de adulto cada vez mais cedo, esses acampantes encontraram nas temporadas de férias uma saída para curtir ao máximo a juventude. ''Se estou em casa nas férias, passo o dia no computador'', diz Thais. ''No acampamento é diferente, tem sempre animação.'' Leandro concorda com ela. ''Acordo cedo para fazer as brincadeiras quando estou acampando. Mas, se não estivesse, ficaria dormindo'', afirma.
Veterana do Paiol Grande, Carol Meldau Hubbe, de 16 anos e 11 temporadas, diz que não imagina suas férias sem ele. ''Gosto das brincadeiras, de ficar conversando no chalé e de cantar na fogueira.'' Para deixar os pais mais tranquilos em relação ao investimento, ela garante que o acampamento é também um aprendizado. ''Aprendemos a conviver com pessoas diferentes, a manter o chalé arrumado e a fazer a cama.''
Já se convenceu a mandar o filhote para um acampamento? Veja algumas dicas mas, antes, lembre-se: pode ser que seu filho não queira mais voltar para casa. Para Helena Salla, por exemplo, o fim da temporada é sempre triste. ''É uma choradeira na hora de ir embora'', afirma.


