Uma brincadeira com a verdade cênica é o que a atriz Felícia Johansson, do Teatro Universitário Candango (Tucan), de Brasília, vai levar ao Zaqueu de Melo hoje à noite, dentro da programação da Mostra Nacional do Filo. O espetáculo ‘‘Teatro de Mentiras’’, que será apresentado às 19 horas, é um trabalho sobre o humor, um exercício de non sense cuja principal estratégia de composição é brincar.
Felícia Johansson, que também é autora do texto, diz que o tema da peça envolve a sociedade de consumo, a mídia, a indústria cultural americana no Brasil, a globalização e a nova realidade virtual. ‘‘Sou uma autora da minha geração e estou dialogando, me divertindo com a Idade Mídia, com o Brasil dublado, com o português televisivo americanizado’’, comenta.
Em ‘‘Teatro de Mentira’’, uma mulher vai acampar e aproveita para se reequilibrar com a natureza. Mas ela está mais interessada nas compras que fez na maior liquidação de todos os tempos. ‘‘Ela não consegue se livrar dos vícios urbanos, consumistas’’, diz Felícia.
Após abrir um piquenique em conserva, a mulher dá à luz a um bebê bonito. Certo dia, acometida por uma inspiração artificial profunda, desaparece mata
adentro. O seu heterônimo passa a procurá-la, mas só consegue observá-la através de seu binóculo contemporâneo. Ao retornar, a personagem feminina enfrentará novos desafios. ‘‘É uma realidade absurda, mas que faz sentido’’, completa. A própria Felícia - que é professora de interpretação teatral na UnB - interpreta estes dois personagens perdidos numa realidade teatral. ‘‘Eles estão se procurando o tempo todo e, tragicamente, não podem se encontrar.’’
Para criar este espetáculo, Felícia Johansson usou como referências cartuns, computador, histórias em quadrinhos, seriados americanos da década de 70 aliados à dramaturgia popular brasileira. Com isso, criou uma sátira à sociedade de consumo, uma fábula sobre o final dos tempos. ‘‘Quero que seja uma pesquisa de linguagem, mas que seja divertido; que seja experimental, mas também comercial’’, conclui.
Felícia Johansson garante que ‘‘Teatro de Mentira’’ não é um espetáculo panfletário, nem com o qual ela pretende fazer denúncias ou julgamentos. Ela quer refletir sobre as alegrias e sofrimentos de viver este momento. ‘‘O realismo não me interessa. Interessa-me a realidade. Por isso quero construir a realidade através da arte’’, afirma.

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