Para o leigo em técnicas e história das artes plásticas, estar diante de uma obra abstrata pode ser tanto uma experiência enigmática quanto um exercício de imaginação. ''O abstrato me chama a atenção porque as figuras sem formas levam a imaginar alguma coisa'', observa Oriana Rivera, de 39 anos, que visitou esta semana a mostra ''Anatol Wladyslaw e uma outra abstração'', em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba.
Mesmo se reconhecendo como alguém pouco familiarizada com o debate e as teorias a respeito da produção artística contemporânea, Oriana correspondeu como espectadora aos anseios do artista que dá nome à exposição visitada por ela. A mostra reúne trabalhos da fase menos racionalista da abstração de Anatol Wladyslaw e de outros 19 artistas que romperam com o concretismo, isto é, com a rigidez da composição de formas e cores.
São 41 obras entre telas e desenhos em papel. E foi justamente a necessidade de produzir, a partir do abstrato, uma obra que tivesse ''algo mais, um outro reino, uma outra ordem de compreensão'' (nas palavras do próprio artista), que motivou Wladyslaw nesta fase, representada pelos trabalhos agora reunidos na mostra em cartaz no MAC. Segundo a curadora, Ana Paula França, as obras selecionadas mostram como a abstração desses artistas passa a ter um viés simbolista, ou seja, como as obras passam a dar margem à imaginação, às emoções individuais de quem as observa. É o que transparece, por exemplo, nas palavras de Tomie Ohtake, selecionadas pela curadoria para acompanhar as obras: ''Sem o título, cada um vê algo diferente. Isso é o mais importante'', comenta a artista ao explicar porque prefere não dar nome aos seus trabalhos.
Na primeira visita a um museu, Vanusa Campos, de 34 anos, e a filha Naiane, de 10 anos, também alcançaram a proposta da ''outra abstração'' que o título da mostra sugere. ''É uma coisa que dá para imaginar várias. Você solta a imaginação na hora que olha o quadro'', avalia Vanusa. Já o olhar de Naiane foi conquistado por outros aspectos. ''Achei muito legal. Gostei dos quadros mais coloridos'', conta a menina, que pretende visitar mais exposições a partir de agora.
Para Vanusa, o contato com uma produção artística que ela pouco conhecia foi um estímulo a novas formas de pensar. ''Tua mente começa a trabalhar mais. A gente tem mania de ver só o que tem na lógica e ali é uma inspiração'', explica a espectadora, que defende a arte também como uma importante parceira do ensino da História. ''Desperta a curiosidade e a vontade de fazer algo diferente. Assim as pessoas iam dar mais atenção. Ficaria mais fácil de aprender a História se ela estivesse exposta'', comenta.

SERVIÇO
Quando - até 21 de setembro
Onde - Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba
Horário - De terça a sexta-feira das 10 às 19h e aos sábados e domingos das 10 às 16h
Informações - (41) 3222-5172

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