Curitiba - ''O mundo se divide entre dois tipos de pessoas: as que foram e as que não foram a Paris'', dizem por aí. Berço da civilização contemporânea Paris é um desatino. Um lugar onde não importa se você é preto, branco ou furta-cor. Uma meca de conceitos, tendências, idéias, arte. Ir a Paris em 2005 para nós brasileiros ainda tem um gosto pessoal. Contrariando aquela fama de mal-humorados (que eu não sei de onde tiraram) os franceses se abrem em sorrisos quando sabem que a gente é brasileiro. É Ano do Brasil na França e a cidade comemora a homenagem.
Prova da empatia e da boa-aceitação está nas ruas. Muita gente exibe camisetas, bonés, bolsas, fitinhas do Bom Fim nos braços. A brasilidade está nos ares franceses. Encostou. Andar por lá é como se estivéssemos na casa de um primo muito querido. Mas para isso acontecer com grande parte dos brasileiros é uma outra história. O euro, moeda vigente em toda a Comunidade Européia, vale quase três vezes a nossa moeda. Um empecilho nada emocionante.
Para a maioria é realmente impossível sequer pensar em ir, mas para os ''classe média'' que ainda conseguem juntar um dinheirinho, é tarefa viável. Curtir Paris sem gastar dinheiro tem lá seus macetes. É só ter humildade e pé no chão. Esqueça sonhos de princesa, príncipe, pense como plebeu, assim você terá a chance de espiar através da cortina. Do contrário, minha cara cinderela, vai continuar no borralho com seu príncipe ainda sapo.
O mergulho real começa pela hora de procurar onde ficar. Existem hoje administradoras de residências que oferecem aluguéis diários de apartamentos. Pequenos, mas confortáveis, os espaços têm televisão (que é a última coisa que um brasileiro deve pensar em ver na França, com tanta coisa legal acontecendo), cozinha completa, mini-lavanderia (acoplada à cozinha) e espaço para até três pessoas. A vantagem de alugar um apê é que, além de se poder fazer comida em casa, o que já barateia em mais de 50% os gastos com alimentação, é a de que você pode acompanhar de perto o dia-a-dia dos parisienses. Imagine acordar com os acordes de violino de seu vizinho do apartamento da frente? Pois é isso que acontece. Silenciosos, os moradores da cidade escutam e reproduzem músicas da boa.
Bem, depois de achar um apartamento legal em uma região como a do Marais, bairro cheio de lojas, bares e restaurantes de Paris por 107 euros a diária, é hora de arrumar a mala. Outro macete: como é caríssimo pegar um táxi do aeroporto até o centro, vá preparado para pegar um trem e depois o metrô. Com uma mala pequena, fácil de transportar, se gasta menos do que a metade do que se pegasse uma condução particular.
Chegue. Se instale. Aproveite as ruas da cidade. Veja o que elas têm para lhe contar. São centenas de anos de história expostos na arquitetura. Com um sapato confortável, entregue-se às margens do Sena. Lá há muita gente passeando, lendo, namorando. Faça passeios noturnos até a Torre Eiffel. Ela está dando shows com piscar de luzes. O monumento imponente, que comemorou a existência do ferro, está enfeitado, assim como grande parte de pontos históricos da cidade.
Um bom jeito de não perder tempo e aproveitar bem Paris é chegar lá e entender o mapa da cidade. Em todos os cantos, lojas e hotéis, é possível adquirir um. De posse é só traçar um plano diário de atividades. Por área fica bem fácil destrinchar a cidade e dividir o tempo entre futilidades (sim as vitrines das lojas são imperdíveis, mesmo que você ache que não poderá comprar nada, o que também não procede), conhecimento com visitas a igrejas e museus e ainda tomar um café e comer um baguete.
Sobre gastronomia é bom avisar: é caríssimo sentar para tomar qualquer coisa, então vale a pena escolher bem os lugares quando o fizer. Dê preferência para lugares não-turísticos. Não tenha vergonha de comer na rua, sentado em algum banco ou na grama dos parques, lá todo mundo faz isso. Saia de casa com uma garrafinha de água vazia na bolsa. É incrível, mas o líquido precioso que pode custar 4,50 euros num bar, é oferecido gratuitamente nas ruas. Também não tenha vergonha, todo mundo faz.
Bem, com essas dicas vale dizer ainda: a melhor forma de se comunicar em qualquer parte do mundo é sendo bem-educado. Essa é uma linguagem que todo mundo entende.
Vista-se com um espírito desbravador, sorria, peça perdão quando for fazer alguma pergunta e ande com um dicionário na mão. Com certeza você vai conhecer uma Paris inesquecível que nem no melhor dos seus sonhos você imaginou existir.

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