Abrindo o leque
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Zeca Corrê a Leite <br> De Curitiba 
Vitor Ramil ainda não completou 20 anos de profissão, mas já está fazendo balanço da carreira. Esse apanhado de passado e presente poderá ser conferido no show ''Tambong ao Vivo'' que ele apresenta esta noite, às 21 horas, no Teatro Sesc da Esquina. Assim como relembra velhos sucessos, o cantor e compositor gaúcho também abre espaço para mostrar os trabalhos mais recentes que estão no último CD, ''Tambong''.
O artista surgiu no início dos anos 80, quando gravou seu primeiro disco, ''Estrela, Estrela''. Ali estavam músicos e arranjadores que mais tarde voltariam a ser seus parceiros: Egberto Gismonti, Wagner Tiso, Luís Avellar. Entre as intérpretes que incluíram suas músicas no repertório estão Gal Costa e Zizi Possi.
Em 1984 chegou ao mercado ''A Paixão de V Segundo Ele Próprio'', com uma profusão de artistas participando das 22 músicas que formavam um grande painel sonoro: do estilo medieval ao clima das grandes orquestras, do agito carnavalesco ao violão milongueiro. As letras seguiam essa mesma trilha diversificada.
Seguindo a tradição, Ramil trocou o berço pelo Rio de Janeiro. Inquieto, deixou para trás a profusão experimentalista e lançou ''Tango'', em 87, disco tão denso em suas oito faixas quanto o título sugeria. As composições caíram como uma luva para músicos que são mestres no improviso. Entre esses estavam Hélio Delmiro, Nico Assumpção, Márcio Montarroyos, Leo Gandelman.
Entre o final dos 80 e início dos 90 Vitor Ramil achou que era hora de ir ao encontro do público foi quando se afastou dos estúdios para explorar os palcos. Começou então a fase dos shows. Nessa época deu vida para o Barão de Satolep (Pelotas, ao contrário), que era seu alter-ego. Em 1995 escreveu ''Pequod'', livro que está sendo traduzido para o francês.
Depois de passar vários anos no Rio, o artista tomou o caminho da volta. ''Ramilonga A Estética do Frio'' celebrou o reencontro. ''Tambong'' está sendo considerado o melhor disco de sua carreira. Ele tem duas versões, português e espanhol, para atingir os mercados brasileiro e argentino. Músicos argentinos e brasileiros estão no álbum. Do lado de cá cintilam Egberto Gismonti, Lenine, Chico César e João Barone.
Vitor Ramil. O cantor e compositor apresenta seu mais novo CD, ''Tambong'', mesclando com sucessos mais antigos, no Teatro Sesc da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969, esquina com a Rua Augusto Stelfeld, fone 322-6500). Dia 30, às 21 horas. Ingressos: R$ 15,00 e R$ 10,00 (comerciários e estudantes).


