Abrindo o guarda-chuva
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de março de 2002
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha 
Você com certeza conhece algum menino que chove. Ou alguma menina que troveja. Aquele tipo de gente que quando vê uma folha de verdura no prato começa a gritar, chorar, esbravejar armando a maior confusão. Aquele tipo de gente que quando perde um jogo, xinga todo mundo, solta um punhado de palavrões e leva a bola embora.
Resumindo, aquele tipo de criança mimada que, quando sua vontade não é satisfeita, arma o maior temporal. Não consegue ouvir um não sem chorar. Solta raios e trovões para conseguir tudo o que quer. É capaz de alagar toda a casa de lágrimas, afogar toda a família (inclusive o gato, o cachorro e o passarinho), para almoçar e jantar chips com coca-cola.
Um menino que chove pode dar um divertido filme. Ou uma ótima história. E foi justamente isso que Cláudio Thebas fez em O Menino Que Chovia, livro que acaba de ser lançado pela Editora Companhia das Letrinhas com ilustrações de Ivan Zigg.
Thebas conta a história, em versos, de um garoto que toda vez que ouvia um não provocava uma verdadeira tempestade. Uma simples folha de alface no almoço era motivo para chuvas e trovoadas. Quem sofria era sua família, que todos os dias tinha a casa alagada, com raios e trovões voando em todas as direções. Quem não sabia nadar corria o risco de morrer afogado.
Cansados de tantas tempestades desnecessárias, a família do garoto se reuniu para procurar a solução do problema. Após muita conversa, encontraram uma solução: a partir daquele dia todos usariam bóia e deixariam o menino chover à vontade. E para evitar os perigosos raios, instalaram um pára-raios no telhado.
A fantástica idéia funcionou perfeitamente. Depois de muitas lágrimas, o menino, com a ajuda de toda família, percebeu que trovejar não é solução para tudo. Chorar não é uma espécie de arma para ser utilizada toda vez que se quer alguma coisa, ou toda vez que se ouve um não.
O Menino Que Chovia é uma história alegre sobre lágrimas. Uma bela história que faz com que os guardas-chuva sejam abertos para que o sol tenha a chance de nascer. Vale a pena ficar de olho em Cláudio Thebas, um escritor (que também trabalha como professor e palhaço) capaz de coisas mirabolante com os dedos da sutileza.
Serviço: O Menino Que Chovia, de Cláudio Thebas, ilustrações de Ivan Zigg, Editora Companhia das Letrinhas, 32 páginas, R$ 19,00.


