Abril Pro Rock volta a investir na garimpagem
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 22 (AE) - De volta ao berço. O maior festival de rock alternativo do País, o Abril Pro Rock, após ter dado uma escapulida em direção ao mainstream e às atrações consagradas, como Fernanda Abreu e O Rappa, voltou-se para o próprio quintal e investe de novo na garimpagem. Das 24 bandas que irão ao Recife este ano - entre 16 e 18 de abril -, 13 são absoluta novidade e saíram das trincheiras do sertão nordestino - à exceção dos cariocas Los Hermanos e Baia e Rockboys. Durante três dias, cerca de 20 mil pessoas vão assistir às maratonas musicais que englobam rock, hip hop, embolada, metal, groove, scratch e até MPB.
A atração "internacional", que já foi a banda belga deus (e este ano poderia ter sido Frank Black, dos Pixies, que não pôde aceitar o convite) será mesmo o conterrâneo Sepultura, agora tendo como frontman o americano Derrick Greene. Além do Sepultura, Tom Zé, Marcelo D2, Mestre Ambrósio, Arnaldo Antunes e Nação Zumbi são as atrações conhecidas.
"O Abril Pro Rock jamais perdeu a característica dele, que é revelar novos talentos", diz o organizador do evento, Paulo André, às voltas com a captação do patrocínio dos R$ 493 mil necessários para a efetivação do evento. "Mas o fato é que, se você só põe alternativos, não vem público e você não tem como mostrar as bandas novas".
A banda Mestre Ambrósio estará aproveitando o festival para fazer o lançamento do seu novo disco, "Fuá na Casa de Cabral". O DJ Dolores (até então só conhecido no Sul por ter participado da coletânea Enjaulado - Música Para Ouvir Trancado) está internacionalizando-se e vai sair em CD do selo belga Crammad.
A curiosidade absoluta é a banda Hanagorik, um grupo de metal que vem de Surubim, no interior pernambucano, e já tem um disco lançado às próprias custas na região. Detalhe: cantando em inglês. O Sheik Tosado, revelação da última edição do festival, no ano passado, vai estar lançando seu primeiro disco pela Trama. O Faces do Subúrbio, grupo de hip hop com apoio de uma banda, já se apresentou em São Paulo. Eddie é rock alternativo made in Recife, assim como o Via Sat, que faz groove com tambor e vem do bairro de Peixinhos - mesmo endereço do Nação Zumbi.
Songo provou suas qualidades no templo do rock pernambucano, o bar Soparia. Toca música experimental, com acento latino. Escurinho é um cantor que vêm da Paraíba, onde integrou o grupo Jaguaribe Carne, trupe de vanguarda que lançou o cantor Chico César. Lula Queiroga é o parceiro de Lenine, em vôo solo.
"É engraçado, todo mundo pensa que o Recife é uma espécie de zona franca do rock, mas o fato é que gente como Cascabulho e Otto, já consagrado no Sul, ainda não toca no rádio por aqui", diz Paulo André, salientando que a receptividade para as bandas locais não é assim tão grande. "O Recife ainda é muito difícil para a cena local", afirma.
André organizou o festival de modo a mostrar "influências e influenciados". Mas uma noite é especial: a de sábado, que procura ser uma espécie de jornada dupla que permita ao roqueiro que vem do interior e de outros Estados voltar tranquilo para casa no domingo. "Eles vêm só para o fim de semana, para ver as bandas", explica o produtor.
Desde sua criação, há seis anos, o Abril Pro Rock já mostrou 126 atrações, tendo revelado alguns dos mais importantes nomes da cena atual, como Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Surgiu inicialmente como uma versão cabocla do Lollapalooza, o festival americano de rock alternativo.


