Abril Pro Rock confirma ser o melhor festival de rock nacional
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Janaína Rocha Enviada especial 
Olinda, PE, 10 (AE) - Ao fim de três noites com muitos shows legais, a conclusão a que se chega é que o Abril Pro Rock continua sendo o melhor festival de rock nacional. Cada um dos dias teve uma característica marcante. O primeiro, na sexta-feira, foi para matar a saudade de bandas como Plebe Rude e Os Replicantes, além de ter sido o dia de apresentação de ótimas bandas novas, como Cidadão Instigado e Vulgue Tostoi. Já a segunda noite foi visceral. A terceira foi da diversa e sempre rica cena nordestina, que acumula sonoridades muito criativas.
O Abril Pro Rock deste ano revelou ainda duas bandas internacionais muito interessantes: a escocesa Bloco Vomit e a colombiana Aterciopelados. Com exceção de ontem, a programação de 2000 caracterizou-se pelo hardcore, punk-rock e heavy metal. Foi um festival de peso. Na primeira noite apresentaram-se Cidadão Instigado, Vulgue Tostoi, Bia Grabois, Suplicantes, Plebe Rude e os Paralamas do Sucesso. O sábado teve o rap do Sistema X e os grupos de rock Sheik Tosado, Ataque Suicida, Supersoniques, Devotos e Soulfly.
Ontem foi a vez de Silvério Pessoa, Stela Campos, Cabroêra, Bloco Vomit, Paulo Diniz, Comadre Florzinha, Los Hermanos, Aterciopelados e Otto. A programação mostrou que os novos nomes do pop-rock nacional não são descendentes diretos do mangue beat. Eles vêm do Ceará, do Rio e da Paraíba. Ficou claro que as tendências ainda se estão firmando, mas já apontam que o importante para este gênero é que ele se mantenha arejado, nascendo em focos diferentes e distantes de grandes centros, como São Paulo. As três noites tiveram características muito distintas e de público também. Mas, ao término dos shows, essa moçada rendeu-se à música da Tenda Eletrônica.
O auge do encontro de tribos foi na noite de sábado, a mais visceral do festival. Após o tchau barulhento de Max Cavalera, houve uma dispersão natural do público. Mas Anvil FX (Paulo Beto) começou a discotecagem e atraiu novamente o rebanho. A partir daí começou uma música eletrônica tão pesada quanto o heavy metal, mas pulsante e extremamente bem tocada. Fãs vestidos com os nomes mais prestigiados do metal de peso entraram no ritual musical do grupo Shiva Las Vegas, convidado por Anvil. As pessoas foram ao delírio novamente com as letras erotizadas do Shiva e a presença cênica de Alex Lilith e Carneiro. ¶mago - O melhor do Abril Pro Rock é, sem dúvida, o público. Ele é jovem e interessado em toda a música que traga uma estética nova. Mas este ano houve outro momento do festival: a discotheque Pomba Gira e a lounge Calcinha Preta, comandada pelo DJ Glauber. Em um extremo do Centro de Convenções de Pernambuco, na divisa do Recife com Olinda, um barraco de cimento e tábuas, de cerca de 16 metros quadrados, decorado no melhor estilo de filme B brasileiro, concentrou o que há de melhor na noite. Música antiga, legal para dançar, e liberdade. Sem dúvida, o inferninho mais bacana da vida de muitas pessoas.
Tudo de mais alternativo e interessante pode ser vivido naqueles 16 metros quadrados. O ambiente foi inspirado na Soparia, de Roger. O local foi o primeiro funil de bandas para o Abril Pro Rock. Muita gente começou ali. Esses foram os intervalos mais legais de um festival. àtimos momentos - A noite de sexta-feira sofreu um pouco com o som, que ainda não estava em condições perfeitas. Mesmo assim, a Plebe Rude voltou com o vigor de sempre. Todos os integrantes estavam em sintonia e a música continuou muito boa. Mas, ontem, todos os shows foram bons, o que não ocorreu com os outros dias. A carioca Bia Grabois tinha tudo para ser revelação, mas se perdeu no palco e o público ficou desmotivado.
O último dia teve as bandas gringas Bloco Vomit, da Escócia, e Aterciopelados, da Colômbia. Os escoceses entraram no palco vestidos de mulher e com instrumentos de percussão brasileira. Para quê? Cantar os clássicos do punk-rock mundial no ritmo do samba. A apresentação foi hilariante, divertida e anárquica. Eles devem fazer shows em São Paulo e no Rio para lançar seus discos pela Trama. Outro que também arrancou aplausos da platéia foi o carismático veterano Paulo Diniz, que fez todo mundo cantar "Pingos de Amor", "Quero Voltar Pra Bahia" e "José".
Cabroêra, banda da Paraíba, foi a atração do festival que conseguiu a participação total da platéia. O grupo transformou em uma grande ciranda o Centro de Convenções de Pernambuco. A apresentação do grupo Aterciopelados foi outro grande momento da noite. A banda é profissional, afinadíssima e faz, sem dúvida, uma das melhores músicas pop da atualidade. E ainda cativaram o público distribuindo apitos e pirulitos. A banda já concorreu a dois Grammys em apenas seis anos de carreira.
Comadre Florzinha fez o público dançar coco e conhecer ritmos folclóricos, como o afoxé. Terminou o show da melhor forma, cantando "Zuzuê", com a participação do afoxé Ylê dEgbá. Mas foi o Otto que resumiu toda a essência do festival. Chamou ao palco Jorge du Peixe, Bnegão, Stela Campos e Fabinho (Eddie) e fez uma grande jam, recordando a inventividade de Chico Science e mostrando que veio para ficar entre os melhores artistas do pop brasileiro.


