Abraços, coca-cola e rock and roll
''Uma coisa que eu observo hoje é a presença de uma galera mais nova. O mito de que festival de rock é coisa de gente violenta e drogada está sendo quebrado'', reflete Fernando Crispim da Fonseca, pós-graduando de filosofia, relembrando os preconceitos que sofreu no passado.
Frequentador assíduo de festivais e de shows internacionais, Crispim tem no currículo passagens pelos shows de AC/DC, Angra, Sepultura, Blind Guardian, Metallica, Iron Maiden, Radiohead, Pearl Jam, U2 e pelas edições do festival Monsters of Rock de 1996 e 1999. ''Hoje você vê muitas mulheres, gente mais tranquila, indo assistir aos shows. Antigamente, de cada 30 pessoas que saíam de Londrina, 28 eram barbudões'', compara, rindo.
O estudante também se diz satisfeito com essa nova enxurrada de shows internacionais. ''O mercado brasileiro ainda é meio carente, e acho que pode ser, e está sendo, bem explorado'', opina Crispim, apontando o fato de que ídolos como o ex-Pink Floyd Roger Waters (que toca este mês no Brasil), já deixaram de ser peça rara por aqui.
''Esse apelo comercial é novidade. Antes, você tinha que esperar 10 anos para ver um desses caras. Agora, é quase todo ano, e o público lota os shows'', afirma, observando que os shows se transformaram em uma espécie de 'fenômeno' dentro do universo pop. ''Hoje, você vê gente famosa nos camarotes, transmissões ao vivo, artistas. Todos estão ali muito mais pelo evento que pela música. Isso traz vantagens e desvantagens. Às vezes, sinto falta do clima do Rock in Rio do passado. Mas é como Woodstock. Só acontece uma vez'', admite, nostálgico. (R.C.)





