De Curitiba
Depois de vender mil cartazes com o título ‘‘Ouse Fazer’’, acompanhado de um envelope com sementes de girassol, o publicitário José Oliva estará lançando nesta manhã (às 11 horas), na Leia Bem (Avenida Batel, 1148), um novo trabalho: ‘‘Pessoas São Músicas’’. O texto é complementado com um sino dos ventos, confeccionado especialmente para o projeto.
Se no anterior havia o convite para a floração das ações, em ‘‘Pessoas São Músicas’’ a sugestão é atentar para a música que está na vida e nas pessoas. A sensibilidade do texto vai além do simplesmente poético, do mero jogo de palavras. ‘‘Olhe a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar’’, diz logo no início.
Este trabalho já correu o País e foi parar em terras d’além mar desde que serviu de encarte de um LP lançado por Oliva, anos atrás. O interesse que causou levou os amigos a gozarem o publicitário - que ele vendesse o cartaz e desse o disco de brinde.
Acondicionado numa caixa, ‘‘Pessoas São Músicas, Você Já Percebeu?’’ é o ‘‘cartaz mãe’’ de todos os outros que vieram depois.
Uma pergunta inevitável sobre este projeto que traz o sino dos ventos: por quem os sinos dobram? ‘‘Por aqueles que já têm o sino dentro de si’’. A resposta tem raízes nas lembranças do autor sobre um diálogo ocorrido há cerca de 20 anos. Amigo de Ivan Lins, Oliva comentou que um jornalista local (Aramis Millarch) dissera-lhe que ele (José) trazia influência do compositor carioca em sua música. ‘‘Não ligue, quando comecei diziam também que eu tinha influência de Milton Nascimento’’, disse Ivan. ‘‘E é possível que tenha tido, mas na verdade a gente só gosta de um sino tocando, quando ele já toca dentro da gente’’. A frase jamais foi esquecida, mas Ivan renega a paternidade. ‘‘Deixa eu anotar, é muito bonita’’, brincou.

mockup