São Paulo - Praticantes da pesca esportiva podem preparar os anzóis e tomar o rumo do Pantanal porque, desde o mês passado, está oficialmente encerrada a época da piracema - quando a pesca fica proibida para que os peixes possam se reproduzir. Em outras palavras, dourados, pintados e pacus estão ao seu dispor nos rios da região.
Depois de quase seis meses sem movimento (a piracema começou em outubro), pesqueiros como o Tarumã (67 3231-4197), em Corumbá (MS), já estão de portas abertas. A localização dos chalés e apartamentos é perfeita: você leva menos de 15 minutos para chegar ao trecho entre os rios Paraguai e Miranda, hábitat de pintados, dourados, pacus e jeripocas.
A diária no pesqueiro custa R$ 237 por pessoa - valor que inclui pensão completa, guia e aluguel de barco - e a hospedagem costuma ser disputada. Na temporada passada, o Tarumã recebeu mais de 1,2 mil pescadores.
Ivan Porto Júnior, 48 anos, gerente do pesqueiro, costuma dividir com os novatos sua experiência em fisgar dourados e pacus. Os dourados, explica, são peixes de superfície e costumam ser atraídos por objetos brilhantes na ponta dos anzóis (técnica do currico). Quem preferir pode usar minhocas e lambaris como iscas (técnica da rodada). O pacu, também abundante, é um peixe de cardume, que se movimenta muito. ''Nesse caso, as melhores iscas são os caranguejos e os frutos silvestres'', diz Porto Júnior.
Também em Corumbá, perto de Porto Murtinho, o Hotel Flor de Camalote (67 3326-1033) fica às margens do Rio Paraguai e tem infra-estrutura que não decepciona os pescadores. A diária de R$ 200, em quarto duplo, inclui pensão completa e frigorífero para conservar o pescado. Barco com piloto sai por R$ 130 por dia.
O barco-hotel São Lucas (65 3223-3661), que parte da cidade de Cáceres (MT), é ótimo para os que curtem um adicional de aventura. O pacote de cinco dias custa R$ 2.400 por pessoa - o grupo precisa ter, no mínimo, 20 pescadores. O valor inclui pensão completa, bebidas à vontade e um estoque ilimitado de iscas.
Regras
Mas não vale comprar o anzol, escolher um pacote e viajar. A pesca na região segue inúmeras regras, definidas pelo Ibama. É necessário, por exemplo, ter uma licença especial, válida por três meses. O formulário para obter a carteirinha está disponível no site do Ibama (www.ibama.gov.br). Basta preencher as informações pessoais e pagar a taxa nas agências bancárias - custa a partir de R$ 20, de acordo com o tipo de pescaria a ser realizada.
Pescar sem a licença é uma infração, punida com multa entre R$ 500 e R$ 2 mil, segundo o Ibama. Aposentados e quem tem menos de 18 anos não precisam de licença. Há, ainda, restrições de quantidade: cada pessoa tem direito a levar somente 10 quilos. Espécies em extinção, como bagre, surubim e pirapitinga, não podem ser pescadas. A lista completa está disponível no site do Ibama.
Apaixonado pelo Pantanal, o pescador Ulysses Ribeiro, 45, aprova o turismo de pesca, mas diz que a atividade requer muitos cuidados. ''O pescador precisa saber o que pode ou não fisgar, em cada época do ano'', alerta.

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